Caçadas de Pedrinho

Começamos a ler o livro dia 1/1/2016, no aeroporto, esperando nosso voo chegar.
CAÇADAS DE PEDRINHO de Monteiro Lobato, com ilustrações de André Le Blanc, Jurandir Ubirajara Campos, Jean Gabiel Villin e Kurt Wiese. Editora: Biblioteca Azul ( um selo da Globo Livros).


O texto é original e considerado polêmicos por muitos. Depois falo um pouco mais sobre o assunto...

Na primeira parte da história os personagens do sítio descobrem pegadas novas perto da casa da Dona Benta. Ao descobrirem que se trata de uma onça, resolvem caçá-la. E com pedras, facas, pólvora e coragem, acabam abatendo o bichano. 

A Cecília ficou espantada com a cena da caça, pois as crianças esfaqueiam a onça. Daí conversamos sobre a época quem que o texto foi inscrito. Sempre morei na cidade, mas lembro bem das férias de verão que eu passava na fazenda na minha vó: meus primos da minha idade caçavam e matavam porcos, caturritas, muçum, preás, como na história de Monteiro Lobato. Lembro de um primo meu matando passarinho com um estilingue.  Ele atirava nos passarinhos, e quando caíam, ele dizia que espécie era. Um dia perguntei pra ele, como ele sabia tanto os nomes e espécies de passarinhos? Ele me respondeu que era escoteiro! Pode isso produção? Esse episódio me marcou muito pelo contra senso!

Na segunda parte do livro, e a mais engraçada para os adultos, é sobre o aparecimento de um Rinoceronte no sítio. Ele fugiu de um circo e o governo criou o Departamento de Caça ao Rinoceronte, com muitos funcionários, assessores e "CCs". Então quando eles percebem que o pessoal do Pedrinho achou o animal, sentem que a "boquinha" e o ganha pão deles está ameaçado... Daí vemos todas as artimanhas do governo para tentar resolver a situação, da forma mais burocrática possível, como ainda acontece hoje em dia! Enquanto o governo se prepara para "caçar" o Rinoceronte, ele já virou amigo do pessoal do sítio e ninguém mais quer que ele seja morto. Como diz a Tia Nastácia, amansaram o Boi da África (já que ela estava velha de mais para aprender uma palavra tão grande como Rinoceronte!), hehehe!

Uma das polêmicas envolvendo é que constantemente ficam falando da Tia Nastácia com Negra, Preta, Beiçuda, entre outras palavras que são pejorativas, de mal gosto e racistas. Sempre que uma palavra surge eu falo pras kids que isso é próprio daquela época. Que hoje as pessoas são mais conscientes e sabem que a cor da pele não faz ninguém ser melhor ou pior, que não se deve xingar ou ser mal educado com ninguém.

Uma das coisas mais legais dessa edição, na minha opinião, é que pegaram as ilustrações feitas for 4 artistas, (de edições anteriores) e colocaram espalhadas pelo livro. Há diferentes estilos, enriquecendo a obra. No final tem um glossário com um pouco da vida de cada um. 
A textura do papel é maravilhosa. Pra quem curte o livro como objeto, isso é fundamental! O texto, como todo texto do Lobato: flui. Você nem percebe que o tempo passa. A leitura é super gostosa e divertida. Adoramos!

 Para nossa surpresa tivemos uma caçada no sítio da vovó Lourdes, nas férias! Estávamos sentados na varanda, quando minha cunhada viu uma coisa balançando na viga do telhado. Não tinha vento e um galho estava agitando os passarinhos... mas não era galho! Era uma cobra verde, que subiu no telhado pela parreira de uva.
Eu gravei um vídeo, mas não consegui fazer o upload aqui. Muito grande. Então eu fiz um print de 3 partes...
 No telhado...
 Caindo...
 Que susto! E lá fomos nós tentar espantar a cobra verde!
Dá pra ver que a história saiu do livro e foi lá pro nosso sítio! Meio mágico isso. As crianças ficaram torcendo pela cobra.

E o timing foi perfeito! Bem no meio da história do livro!
Super recomendo a leitura!
 Fica a dica!

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