Os melhores livros do ano - Cathe

Escolher os preferidos é uma das tarefas mais difíceis do blog. Na lista entram lançamentos e também livros de anos anteriores que fomos conhecer só agora. Não há ordem de preferência, cada livro é maravilhoso em seu momento. Sobre os critérios, sou parcial, prefiro os que me fazem pensar, me emocionam e os que capricham na edição. Os primeiros são os álbuns ilustrados.


A viagem




De Francesca Sanna, tradução Fabrício Valério, V&R Editoras.
Estava muito curiosa para ver este livro, a Gisele já tinha avisado que iria gostar muito. Mais que gostar, me emocionou. A história de uma mãe que foge da guerra com os filhos e faz tudo para que se sintam seguros frente aos perigos da viagem. Um livro lindo que fala de sobrevivência, coragem e principalmente empatia. Se os conflitos não chegam a nós, por que então deveríamos nos preocupar? A melhor forma de descobrir é acompanhar de perto outras crianças na migração. Ilustrações lindas que contam tudo, usando as cores como um impactante recurso narrativo. A autora conheceu refugiados em seu país natal, Itália e decidiu contar um pouco de suas aflições e sonhos. É seu premiado livro de estreia.

Ônibus




De Marianne Dubuc, traduzido por Maria Viana, editora Jujuba. Um dos meus preferidos. O livro conta as aventuras de uma menina que viaja de ônibus sozinha. Por ser mais largo que alto o livro proporciona uma horizontalidade que permite acompanhar várias histórias simultaneamente. O texto ocupa pouco espaço na página, uma frase no máximo deixando que as imagens sejam responsáveis pela maior parte da narrativa. Os personagens são fofos e divertidos. As ilustrações. Ah, as ilustrações... Lindas parece um adjetivo pequeno para tanto detalhe. Tudo feito a lápis, com cada traço aparente e sem sobrecarregar. Fiquei seriamente encantada com o estilo da Marianne. Não vou falar mais sobre a história para não tirar a surpresa mas posso dizer que é imperdível. Ganhamos o livro da Distribuidora e Livraria Horizonte do Saber (de Brasília).

Uma criança única




De Guojing, também pela V&R Editoras.
Um livro ilustrado que pode ainda ser chamado de novela gráfica por se utilizar de quadrinhos para contar a história. Selecionado pelo New York Times entre as melhores publicações infantojuvenis do ano, nos apresenta um pouco da literatura chinesa. A narrativa é toda por meio de ilustrações, não há texto nem para dar nome aos personagens. A ¨menina¨poderia ser qualquer criança chinesa, já que sua história é comum a toda uma geração de filhos únicos que cresceram convivendo com a solidão. A autora se baseou em suas memórias de infância. Acompanhamos a pequena que sai sozinha em busca da avó e acaba se perdendo. Um animal misterioso surge para cuidá-la e levá-la a um lugar mágico. Lindo. Ilustrações que nos fazem querer folhar as páginas centenas de vezes enquanto pensamos, quanto tempo a autora levou para executá-las? Em tons que lembram fotografias em sépia com algumas páginas mais claras. Ótima impressão, à altura do trabalho de Guojing

This is Sadie




De Sara O´Leary e Julie Morstad, ed. Tundra books.
Ganhei esta preciosidade de aniversário da Gisele e amei!
Sadie é uma pequena menina com grande imaginação. Ela se esconde numa caixa e a caixa se transforma num navio. Ela brinca com seus amigos que moram nos livros. Vive no fundo do mar, nas florestas com os lobos ou no mundo das fadas. Ilustrações lindas com cores fortes e muito branco, com um ar nostálgico, retrô (anos 70). A edição ainda conta com um poster.

Lá e Aqui





De Carolina Moreyra, ilustrações de Odilon Moraes, editora Pequena Zahar.
Um livro delicado em todos os sentidos, formato, ilustrações e abordagem para falar sobre separação. Premiado com o Jabuti de 2016.
Acompanhamos a casa e o seu dono, o menino com tudo o que aquele universo contém, um jardim, uma árvore, os cães, um lago com peixes, pai e mãe. Até que um dia a casa se afogou.
A partir dessa frase tudo muda, as coisas e personagens vão para lugares imprevisíveis. As ilustrações tornam-se sombrias e a casa transforma-se em duas. Depois da pausa de uma página em branco as ilustrações retomam o ritmo inicial e a vida segue seu rumo.
Para tratar de forma sensível a separação ou simplesmente para pensar os relacionamentos com um livro ilustrado lindo.

Moscas e Outras Memórias





De Eve Ferretti, ilustrações de Fabíola Werlang, editora Aletria.
Um livro que evoca de forma engraçada e levemente assutadora o passado e seus personagens. Aquelas histórias esquisitas de família que ninguém acredita quando contamos mas que ainda assim aconteceram. Um entrelaçamento profundo entre texto e imagem ou melhor, entre escritora e ilustradora. Edição cuidadosa, muito bom.

O reino partido ao meio





De Rosa Amanda Strausz, ilustrações de Natália Colombo, editora Cia das Letrinhas.
Um livro lindo que usa a metáfora do ataque de um dragão para simbolizar a separação dos pais.
O príncipe vivia feliz no seu reino perfeito numa ilha até que um dia um dragão surge do mar e ataca o castelo bem no meio. Tudo se partiu, a rainha ficou na metade da ilha e o rei na outra. O castelo, os objetos e até o cão está partido mas a vida segue e eles acabam encontrando uma maneira de seguir em frente.
Os desenhos de Natália são maravilhosos, cores texturas, ideias, tudo perfeito. Uma história sobre superação e sobre a percepção de um problema dos adultos.

Este é o Lobo




De Alexandre Rampazo, editora DCL
Rampazo nos apresenta o lobo em primeira pessoa. Na capa, na primeira página, em primeiro plano. O lobo assustador no vermelho da capa prevê o sangue que deverá correr pelas páginas. Cada personagem que aparece depois dele some e novamente só o lobo está lá, único na página. Um livro sobre ideias pré-concebidas e como acabam nos afastando. Imagens que se destacam sobre o branco.
Adorei (projeto gráfico, ilustrações, sequência narrativa).

A inacreditável história de duas crianças perdidas




De Jean-Claude R. Alphen, editora Cia das Letrinhas.
Um livro muito divertido com ilustrações fofas e de traços simples.
Duas crianças viviam na floresta, Gilda sob o jugo de um ogro bem malvado e Godofredo, prisioneiro de uma bruxa horrorosa. Logo na primeira página vemos que o desenho não mostra exatamente o que o texto diz. Aos poucos entendemos que o texto é a visão de Gilda e Godofredo e o desenho, a realidade. Lembrei daquela fase em que achamos que os pais são os culpados por tudo o que nos acontece. Ótimo para refletir enquanto se diverte com a situação dos dois.

Lívio Lavanda




De Michael Roher, tradução Hedi Gnädinger, editora SM coleção Barco a Vapor.
Um livro ilustrado que conversa diretamente com o leitor. A partir do varal de lembranças somos convidados a participar do dia a dia de Lívio, uma pessoa que como o nome sugere encara a vida com leveza. Lívio voa com o vento, conversa com a velha sombra e com o fantasma que visita sua cama. Ao final de cada página um questionamento para o leitor.
O que você gostaria de poder fazer?
Você tem medo?
Ilustrações refinadas, enriquecidas com colagens.
Um ótimo livro para começar com leitura compartilhada e melhor ainda para ler sozinho.

Coleção Livros para o Amanhã



Vol. 3, O Que São Classes Sociais?
de Equipo Plantel, ilustrações de Joan Negrescolor
Vol. 4,  As Mulheres e os homens ilustrações Luci Gutiérrez
de Equipo Plantel,  ilustrações Luci Gutiérrez
Estes dois livros editados pela Boitempo, selo Boitatá nasceram na Espanha de 1977. Trazidos ao Brasil com novas ilustrações, junto com os vol. 1 e 2, transformaram-se em ferramenta indispensável para pais e professores que desejam fomentar nas crianças o pensamento crítico sobre nossa sociedade. Questionando de forma simples o papel social dos indivíduos e mostrando que as diferenças são na verdade naturalizadas e não necessariamente naturais.
As mulheres e os homens é perfeito para explicar aos pequenos (e até para adolescentes) a necessidade do movimento feminista.

Monstro Rosa





De Olga de Dios, editora Bontempo, selo Boitatá.
Um livro sobre as diferenças. Sobre a pasteurização do sujeito e a necessidade de confrontar o desconforto que isso gera em muitos de nós. Num lugar onde as semelhanças entre os indivíduos começam antes mesmo do nascimento, os ovos são todos brancos e do mesmo tamanho, um ovo rosa e peludo se destaca. Monstro rosa não se encaixa, seu jeito alegre, sua forma, cor, tudo é destoa. Sonha em conhecer outros lugares com pessoas diferentes como ele.
Um livro sobre diferenças, coragem e aceitação. Vencedor de vários prêmios internacionais.

Bem Lá no Alto





De Susanne Straber, editora Cia das Letrinhas.
Uma delícia de livro, com tudo que os pequenos (e eu) gostam. Um urso, um bolo, um coelho, um porquinho, uma galinha, um cachorro e um sapo. O urso avista um bolo no parapeito de uma janela mas é muito alto, não consegue alcançá-lo. Os outros animais vão chegando página a página para tentar ajudar. Um conto de acumulação com final surpreendente.
Com poucos elementos visuais e cores sóbrias é o tipo de história para contar de novo e de novo sem enjoar! Capa dura e papel fosco completam o projeto gráfico. Letra bastão para facilitar a vida do leitor iniciante mas permite leitura compartilhada desde bem antes.

Cartas a povos distantes





De Fábio Monteiro, ilustrações André Neves, editora Paulinas.
O autor nos apresenta Giramundo, um menino criativo empenhado em construir línguas e histórias de povos que jura conhecer. Como a criança da fábula, que grita ¨É o lobo! É o lobo¨, nem ele mesmo acredita quando recebe uma carta de Luanda, sem texto e assinada por ¨Um novo amigo¨. O novo amigo nos apresenta a realidade de um país em guerra e cheio de privações mas também com belezas e amizades. Depois que comecei a ler não conseguia parar.
Vencedor do Jabuti juvenil 2016.

Uma Lagarta muito comilona Pop-up





De Eric Carle, editora Callis.
A publicação não é de 2016 mas como só fui conhecer a versão pop-up este ano, entra na lista. É uma edição comemorativa dos 45 anos da lagarta. Eric é um dos clássicos da literatura infantil que segue tão atual quanto no ano do lançamento. Cores maravilhosas, interatividade e uma arquitetura elaborada, tudo para fazer a história de Carle saltar aos olhos.









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