INVERSÃO DE VALORES




Inversão de valores?





Meu nome é Gisele sou ilustradora, blogueira (blog Kids Indoors) e mãe 24 horas do Cássio e da Cecília.

Quando percebi que estava grávida pensei comigo:

Se tudo que eu comer agora vai influenciar na formação do meu filho, dentro de mim... tudo que eu ouvir e ver, de certa forma, também está formando meu filho.

E assim, a partir desse pensamento, comecei a selecionar o que eu queria que meu filho recebesse de mim, dentro da minha barriga.

Então não comi nada de porcaria. Não vi mais filmes de violência ou terror. Não vi mais novela. Comecei a ler livros infantis para ele todas as noites, antes de dormir. Comecei a escutar mais música brasileira (mais antigas), que em função da correia do dia a dia, tinha parado de fazê-lo.  E procurei música infantil brasileira de qualidade para ouvir com a barriga, nos momentos que estávamos a sós,  no trânsito.

Eu trabalhava dando aulas de artes para crianças especiais e parei, quando o Cássio nasceu. Resolvi ficar em casa com ele, estimulando-o o máximo que podia, com coisas positivas.

Meu projeto era uma infância livre de violência e com muuuuuuuuuuuuuuuuito amor, para que ele crescesse sendo um cara legal (ou copiando o texto do Ziraldo do livro MENINO MALUQUINHO – “o cara mais legal do mundo!”) com muito amor, amizade, solidariedade, atitudes positivas, criativas, um cidadão (no sentido completo da palavra), um menino/adolescente/homem justo e amigo.  Queria muito fazer um homem melhor para o mundo (e não o mundo ser melhor para ele).

Então por quatro anos ele e depois a Cecília (que nasceu 2 anos depois)  olharam muito Ursinho Pooh com valores de respeito e amizade;  Cocoricó, respeito aos animais, amizade e diferenças; Elmo e Vila sésamo,  aprendendo as letras, língua de sinais, números, amizade, respeito, importância do fazer o melhor que puder; Mágic English, aprender inglês brincando; Charlie e Lola, amizade, tolerância entre irmãos, imaginação; Palavra Cantada, música de fundamento para crianças, Pingu; brincar e se divertir fazendo pequenas artes; entre outros DVDs infantis.  Só DVDs, eles não viam TV aberta e na casa das avós viam Discovery Kids e só.

Não viam o que estava na moda. Eu escolhia a dedo o que viam e quando podiam ver.

Passávamos os dias fazendo coisas de arte (reciclagem pinturas, desenhos, trabalhos com argila, massinha e papel machê) e tocando música, além de brincar no pátio de casa com brinquedos educativos. Nada de armas, não viam nada de violência...

E eu ainda mudava os finais de alguns livros.





Tirei o machado e coloquei um cartaz pacifista. Não ia deixar o lenhador matar o lobo a machadadas! Violência gera violência! Vamos tentar resolver os problemas conversando. Era o que eu dizia (Antes que você diga que isso é um absurdo, vou te contar que essa já é uma história com final modificado. Na história original a chapeuzinho tira a roupa e entra  nua na cama junto com o lobo mau e é comida pelo lobo. Você não ia ler isso para o seu filho/filha ia? Por isso fizeram versões da história. Então eu também me achei no direito de modificar o que já tinha sido modificado.).

E o porquê do meu projeto só Love? Eu não queria que o Cássio e a Cecília achassem normal matar, roubar, trair, o pai jogar a filha pela janela, o marido encher a mulher de bala, queimar pessoas na rua, Ganges violentas, bater em professores, queimar lixeiras, vandalizar patrimônio alheio, violentar, estuprar, saquear, agressões,  se drogar, incesto, mentir, seqüestrar,  fraudar, sonegar, infringir as leis, corrupção, terrorismo  e impunidade.  Por que por mais que a TV passe só isso, basicamente, pra mim não é normal, continua não sendo normal.  Pra mim ainda é chocante e não quero que isso seja banalizado. Que vire um “AH, TÁ!” entorpecido, sem emoção nenhuma. ( E você pode dizer, ele vai ouvir sobre isso na escola, no ônibus, da vizinha. Sim, eles vão ouvir e vamos conversar sobre o que aconteceu e reafirmar que é feio, errado e infeliz. Hoje nós não temos TV em casa, assistimos o jornal pela internet, junto com as crianças e discutimos as notícias reafirmando nossos valores).

Ok. Quatro anos de amor passam depressa e eis que as crianças precisam ir para escola, enfrentar o mundo real. Daí, depois de quatro anos de amor, no primeiro dia de aula um menino pega um brinquedo e bate com toda força na cabeça do meu filho. 

E a professora me diz:  “Pois é...  é que os pais do menino estão se separando.” (!??????!!??!!!!!!!??)

E meu filho é o saco de pancada dele??!! Revolta, conversa com os pais, com a professora e nada de adiantar.

Dizem que meu filho precisa  defender-se . Precisa brigar de volta!

Será que ele precisa mesmo? Precisa usar a violência? Por que meu filho precisa brigar e não o filho da outra precisa aprender a conter-se e amar e ser amigo? E toda aquela conversa de é feio brigar, usar a violência... como é que fica? 

Meu filho ficou muito confuso de início, por que ele mesmo apanhando do colega ele dizia que era feio brigar e que era errado, que tinha que conversar.  Uma pena. Uma criança boa,  que a essência é de paz e amizade ter que viver isso.

Minha irmã, a dinda dele, teve uma idéia... deu de presente para as minhas crianças o DVD  “Os Incríveis”. E lá ela mostrou para eles que os mocinhos também batem se for para combater os maus, e só se forem atacados primeiro.  

Coração de mãe beeem apertado.  Tudo que eu não queria era apelar para a violência.

Mas foi a única coisa que resolveu.  Quando o menino atacou o Cássio, ele revidou e a reação inesperada, fê-lo deixar meu filho em paz.

E eu pergunto novamente, não será uma inversão de valores?

Será que se todo mundo, em casa, na TV, na escola, ensinassem e reforçassem que é ERRADO brigar, falar mal e maltratar os outros, o mundo não seria diferente?

Cadê a cultura pela PAZ? Cadê o valorizar quem é do bem? 

Olhe ao redor, você gosta do que vê? 

Como mudar isso?

Pode ser suuuper utópico, mas eu quero mudar as pessoas para o mundo. Eu quero pessoas melhores, eu quero um mundo melhor!

E você? O que faz pra mudar o mundo?


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Texto meu originalmente publicado AQUI

Comentários

  1. Olha... estou com um post no draft sobre isso...
    meu filho é vitima corriqueira de um coleguinha da sala e qdo fui falar com a coordenadora e com a professora, disseram que o menino nao é violento. Oi?
    Ele agride sequencialmente meu filho e não é violento? ah ta...
    beijao e força aí!
    logo tudo se resolve
    Lele

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    1. Oi Helena, é bem assim! Nunca assumem a culpa, sempre panso quentes em cima. Tem que reclamar, sempre! Bjão e boa sorte!

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  2. Gi infelizmente vivemos em um mundo onde muita gente (to falando no geral ta'?) nao quer ter trabalho.
    Essa professora foi no minimo sem nocao, para nao dizer outra coisa. Ja' tive muitos alunos que tiveram seus momentos violentos e resolvemos de outra forma: conversa, desenho, caixa de areia, correr na grama e conversar com os pais. Parceria escola e familia e' fundamental nessas horas, nao da' para se apegar a uma justifica e deixar pra' la'.
    Meu filho tambem passou por uma situacao parecida mas correu para falar para um adulto. Resolveu na primeira vez, segunda e so'.
    O mundo e' cruel, infelizmente (again).
    Abracos
    Gra'

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    1. Siiim, Gra! É muito mais comodo não se envolver!Eu sou aquela mãe chata que vai atrás, que conversa com as outras mães para ver se outras crianças tb estão sofrendo. Quando fui professora também conversava muiiito com as crianças sobre isso, sobre o se colocar no lugar do outro, sobre violência! Tb acho que parceria família-escola é fundamental. Óbvio que troquei de escola, como vou ter confiança nos profissionais se quando volto meu filho tá todo machucado? Não dá, né!
      Bjão, Gi

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  3. Amiga, nossa acho que estamos em sintonia.
    Hoje escrevi um texto falando sobre a educação que vem de casa, depois de ficar revoltada com algumas atitudes alheias.
    Eu me vi em seu texto, pensei as mesmas coisa e sento as mesmas angustias.
    #coisademãe!

    Beijocas da Maricota

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    1. Sim, Cleo! Estamos em sintonia! Acho que tem muita mãe preocupada com isso! O mundo tá muito violento e mal educado! Aqueles valores de respeito, amizade, conversa, precisam voltar!
      Adorei o seu post tb!
      Bjão, Gi

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  4. Continue reafirmando seus excelentes valores para eles, mas deixe-os se defender. Infelizmente, vivemos num mundo onde os "bons" parecem ser minoria. Mas só parecem, os "maus" é que fazem muito barulho. E o "bons", caso deixem se intimidar, não conseguem passar sua mensagem à diante. Como na natureza, muitas vezes precisamos atacar para nos defender.

    Beijos!!!

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    1. Oi Cris! Sim, eu sei que precisamos deixar eles aprenderem a se defender... mas meu coração de mãe fica tãããão apertadooooooooooooooo! E siim os bons precisam ser ouvidos e precisam fazer o quanto antes, para não serem sufocados pelos maus! :)

      Bjão, Gi

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  5. Leio seus posts com atenção. Acho incrível sua maneira de educar seus filhos. È lamentável que seu filho tenha que aprender a bater ao invés do outro aprender a abraçar. Não sou mãe ,mas sou educadora e sofro com a falta de pequenas ternuras no mundo.

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    1. Krika, o bom é seempre conversar com suas crianças em sala de aula, você sabe que o professor tb está sofrendo muito com a violência na escola. é de pequeno que se desentorta o pepino! Vc pode lançar muiiitas sementes de paz. Quando eles são pequenos eles ouvem as professoras muitas vezes, mais que as próprias mães! E obrigada pelo carinho!
      Bjos, Gi

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  6. Solidarizo-me com o seu drama e tenho muito medo do dia em que meus filhos forem para a escola... tenho medo da convivência.

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    1. Sabe, Ana, meu marido que fala, por ele, as crianças ficariam em casa até os 18 anos! Tem que ser BEM presente na vidas escolar do seus filhos. Conhecer os colegas e pais para poder saber como tratar e reagir aos valores das outras famílias, sem descriminação, mas com respeito. É muito difícil. O coração fica tão apertado!

      Boa sorte pra ti! Bjos, gi

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  7. Oi Gi! Também já passei por isso e o Italo não conseguiu revidar. Acabei pedindo para ele se afastar e evitar o amiguinho agressivo com o apoio da professora. Mas é mesmo triste queremos educar as crias só para o bem e saber que nem todos os pais pensam da mesma forma que nó, né? Mas não desista!

    bjs

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    1. Oi Viviane.
      O problema,no nosso caso, é que o menino ia atrás do Cássio. Ele se afastava, mas o guri não largava do pé! Mas agora é passado, graças a Deus, nós nos mudamos de cidade e os amigos aqui, são amigos mesmo! Conviver é um aprendizado diário!

      Bjão, Gi

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