Dicas para ententer crianças presas em casa
Mostrando postagens com marcador HISTÓRIA. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador HISTÓRIA. Mostrar todas as postagens

Hoje é dia da família aqui no Brasil.

Resolvi falar de um filme sobre uma família que é baseado em um livro.

Fomos convidados para ver o filme (online em casa) QUANDO HITLER ROUBOU O COELHO COR-DE-ROSA, baseado no livro infanto-juvenil e semiautobiográfico de Judith Kerr ( veja aqui o livro, mas só achei em inglês: https://amzn.to/3gsHr4z).

O filme da cineasta alemã Carolina Link, distribuído, aqui no Brasil, pela A2 Filmes.

É um drama sobre uma família, mostrado pela perspectiva da pequena Anna, que aos 9 anos precisa fugir da Alemanha, com os pai e o irmão, pois Hitler está prestes a subir ao poder e o pai da guriazinha está na lista das cabeças (por ser um jornalista crítico ferrenho do Nazismo) que serão caçadas.

Um amigo da família avisa que no outro dia ele será impedido de sair do país, e assim a família se divide para poder fugir mais depressa. Anna, sensível, só consegue desenhar catástrofes… E assim a Berlim de 1933, vai se transformando, não se pode confiar em ninguém, a desconfiança é geral e nenhum judeu está mais seguro.

A vida vira de pernas pro ar e ela precisa decidir o que levar e o que vai ficar pra depois. Mas a cada nova fuga, mais medos, mais perdas e tudo que ela conhecia antes, fica mais e mais longe… Eles que tinham uma vida confortável com passeios no zoológico e óperas, se veem, sem dinheiro para comida, roupas e muito menos para trocar uma lâmpada queimada, ou um lápis de desenho.

A medida que vai crescendo, e conhecendo diferentes culturas, Anna começa a entender que a vida nunca mais será a mesma. A palavra Lar muda de significado e mesmo cheia de medo e incerteza, aprende muito sobre o significado de família, resiliência e esperança.

Embora tenham me dito que não é um filme para crianças, não vejo problemas deixá-las verem junto. Acho que a esperança e a força de vontade da protagonista podem inspirar as kids e tweens a verem o mundo de uma forma melhor e mais rica. Além de verem parte da história que não pode nunca se repetir. Perfeito para os pais falarem sobre intolerância, racismo, sobre guerras e também sobre diferentes culturas.

Para quem quiser ver o TRAILER no YOUTUBE: https://youtu.be/S4UCKjTcUKc

LANÇAMENTO NOS CINEMAS: 10 DE DEZEMBRO DE 2020

Mas se puder, fique em casa! Ainda estamos na pandemia e ainda tem Corona por aí!

Enreduana
De Roger Mello e Mariana Massarani, editora Companhia das Letras.

Que grande prazer é ser surpreendido por um livro. Enreduana tem esse dom, surpreende pela personagem, pelo narrador e a forma insólita de apresentar a história, pelas ilustrações que tem a cara da Mariana mas ao mesmo tempo arriscam nos materiais e pelo projeto gráfico em tons de bronze e laranja e rosa fluorescentes. 
Enreduana traz à luz, a primeira escritora e filósofa reconhecida pela história, nascida em 2.300 a.C. em Acádia, Mesopotâmia. Enheduana é a composição de duas palavras "En" que significa "alta sacerdotisa" e "heduana", adorno do céu ou a própria lua.
Tive o privilégio de ouvir Mariana e Roger contando sobre a criação do livro durante o Painel de abertura do Instituto Quindim.
Mariana falou da sua pesquisa iconográfica e de materias que simulassem as placas de barro onde os poemas eram escritos.

O narrador da história é um grão de areia, o menor dos grãos. Ele acompanha o exílio de Enreduana que foi expulsa do reino, depois de se envolver em política, pelo próprio irmão.
Mariana contou que fez alguns desenhos na areia da praia, fotografou mas não contente com o resultado testou outros materiais semelhantes a areia, depois de muitas voltas decidiu finalmente pela praia.
As  placas de argila que os sumérios usavam como papel, foram reproduzidas em material semelhante mas não igual para garantir o manuseio e registro.
Enreduana nunca tocara o chão na sua cidade, Ur, era sempre carregada por vários homens.
Sua vida era dedicada aos deuses da lua Nanna e sua filha Inana com quem ela se casa simbolicamente.
Enreduana já no exílio escreve um pedido para sua deusa, que faça seu irmão, Rimush, se dar conta do erro que cometeu e permita que ela volte para a cidade.
Isso acontece durante uma caçada, Rimush se perde no deserto e é picado por uma cobra, ele e o antílope que estava caçando trocam de lugar por uns instantes, o que faz com que sinta o poder dos deuses e volte atrás. 
Enreduana retoma seu lugar no reino e o grão de areia será parte do barro que guardará um dos poemas.
Recomendamos para crianças maiores, pré-adolescentes e adolescentes. Para os pequenos, com mediação, pois o texto é poético e complexo. 
O livro é para colecionar, com certeza. Resgata o valor das mulheres na história da filosofia e poesia.
Aqui no blog temos um apaixonado por história desde pequeno (dois, porque eu também sou), o Fabrício. De tanto que gosta decidiu cursar história na universidade. É dele a tarefa de avaliar estes dois clássicos da literatura mundial na versão integral do selo Penguin da Companhia das Letras. Assim que eu conseguir uma brecha nas leituras, vou começar a ler também.


Ilíada de Homero - Penguin Clássicos tradução de Frederico Lourenço.

Ilíada é a primeira obra da literatura ocidental, escrita mais ou menos em 2700 AP (antes do presente). Ela é composta por mais de 15 mil versos e conta a história do cerco dos gregos ao redor da cidade de Ílion, na região de Tróia. Ela conta apenas alguns dias da Guerra de Tróia, quase dois meses. A obra foi escrita por Homero em forma de poemas e é certamente uma das melhores histórias sobre guerra e aventura já produzida pela humanidade. O livro é dividido em 25 cantos enumerados em escrita romana. Como material de apoio para compreensão da obra temos: Introdução tem quase 50 páginas.
A introdução da edição de 1950.
 
prefácio do tradutor, Frederico Lourenço.
Um apanhado dos personagens mais relevantes.

Mapas
Glossário
Índice remissivo

A Guerra de Tróia tem como causa o fato de Páris, príncipe de Tróia ter seduzido e sequestrado Helena, a esposa do rei de Esparta, Menelau. Enfurecido, o rei então promove uma campanha até a cidade de Ílion, junto de seu irmão Agamêmnon, no intuito de destruir a cidade e recuperar sua esposa. A obra gira em torno de Aquiles, filho de Tétis, o melhor guerreiro dentre todos da Grécia. No início, Agamêmnon rouba de Aquiles seu "espolho de guerra", Briseida, uma escrava. O herói fica muito irritado e então decide deixar de lutar a favor dos aqueus o que faz com que a guerra fique cada vez mais difícil. Durante a história, pode se perceber uma clara divisão entre os deuses do Olimpo por causa desta guerra. Afrodite, por exemplo, está ao lado dos troianos e no Canto III intervém na luta de Menelau e Páris, ajudando o príncipe troiano a sair com vida da luta. Os deuses constantemente estão presentes na obra, seja sendo citados ou como personagens de fato, o que é ótimo para os amantes da mitologia. A história então se desdobra até o momento em que Aquiles é tomado por uma raiva absurda (na obra o termo usado é "cólera") e então decide intervir ao lado dos aqueus a fim de acabar com a guerra. Entretanto, a obra não termina com o famoso "Cavalo de Tróia", esta parte é contada apenas na Odisseia. Por este motivo acredita-se que a Ilíada e a Odisseia sejam uma mesma obra, entretanto isto não é comprovado. A obra é traduzida do grego ao português por Frederico Lourenço, que também fez o mesmo com a Odisseia. Além disso o livro possui mapas que esclarecem melhor como ocorreram as batalhas descritas por Homero em Ílion, o que pode ajudar as pessoas a imaginar como foi travada a guerra. Recomendo o livro a adolescentes (a cima de 16 anos) e a adultos amantes da literatura clássica. O tradutor afirma que a tradução não é acadêmica, que é destinada ao público geral. Para quem quer se aventurar na Grécia Antiga, gosta de histórias de guerra e de mitologia.

Ilíada de Homero da coleção "CLÁSSICOS" da Companhia das Letras é um livro perfeito para tal. 



Odisseia de Homero Penguin Clássicos  
A Odisseia é uma das literaturas mais antigas que a humanidade já escreveu (meu exemplar já está até com a capa gasta de tanto carregar pra lá e pra cá). Seu nome é usado como inspiração para diversos autores quando decidem escrever uma história, como por exemplo a obra de Artur C. Clarke "2001: Uma Odisseia no espaço". 

A obra gira em torno do herói grego Odisseu, conhecido como Ulisses entre os romanos, contando 20 anos de sua vida, desde a saída para a Guerra de Tróia até seu retorno. Odisseu é o personagem da mitologia grega (humano) que talvez tenha a maior astúcia, pois conseguia escapar de situações difíceis com o intelecto. Quando foi à ilha dos ciclopes, nosso herói enganou o ciclope Polifemo, filho de Poseidon, ao dizer que seu nome era "Ninguém". Polifemo então ao precisar de ajuda, pois tinha sido cegado por Odisseu em uma caverna fechada, gritou a seus companheiros ciclopes "Ninguém está a me atacar!" e assim, os outros acharam que tudo ocorria bem e não o ajudaram, nosso herói conseguiu escapar em segurança. Odisseu também foi a Ilha de Circe, e, graças ao auxílio direto de Hermes conseguiu salvar seus amigos, que haviam sido transformados em porcos. O barco do herói em determinado momento naufragou na ilha de Calipso, uma ninfa do mar, que o auxiliou e tentava seduzi-lo com a imortalidade, em troca de ficar preso na ilha com ela para sempre. 


Sobre o tradutor Frederico Lourenço nasceu em Lisboa em 1963, formou-se em línguas e literaturas clássicas na Faculdade de Letras de Lisboa, onde concluiu seu doutorado. A tradução feita por ele é direta do grego para o português, o que mantém diversos termos e aproxima mais o leitor da obra original, entretanto, por se tratar de uma tradução direta, o texto é escrito em versos como uma poesia, o que pode dificultar um pouco a leitura no início, mas quando se acostuma, o texto se transforma numa peça de teatro. O público alvo deste livro, assim como o anterior, é de adolescentes (lá pelos 16 anos) e adultos, por se tratar de uma obra muito densa e com uma escrita erudita, dificilmente atrairá a atenção dos mais novos (sempre existem exceções, claro). O texto, mesmo não sendo de uma tradução completamente acadêmica, não deixa a desejar, podendo ser uma fonte crível para a academia. 

A introdução tem quase 90 páginas.
Para ajudar a situar o leitor temos mapas
Genealogia 
E outros materiais de apoio. A Odisseia é talvez uma das obras mais importantes que a humanidade já escreveu e uma história que inspira uma infinidade de autores posteriores a sua escrita. O box contendo a Ilíada e a Odisseia pode ser encontrado a venda por R$60,00 já que o selo Penguin se propõe a fazer edições menos custosas. Será uma ótima compra para os amantes de mitologia e histórias fantásticas.

Se você quiser uma versão para crianças e adolescentes, ou mesmo uma mais ilustrada para começar a se aventurar, tem também Odisseia em Quadrinhos, falamos dela aqui.


Texto de Fabrício de León

Para comprar
Odisseia: https://amzn.to/2Lu9ilk

De Neil MacGregor, Diretor do British Museum, editora Intrínseca.

Estamos encantados com este livrão de quase 800 páginas que conta a história da humanidade através de parte dos objetos expostos no Museu Britânico.
O autor, escolheu os 100 mais significativos para o livro, apresentando-os de forma cronológica. A exceção (deslocada da linha temporal) é a representante dos objetos mais procurados no museu, a múmia de Hornedjitef e seu sarcófago.


A partir desta página começamos uma viagem no tempo que se inicia com a ferramenta de corte encontrada em Olduvai, Tanzânia, lascada a 1,8 - 2 milhões de anos atrás. Ele marca o momento da pré-história em que o homem passa a construir suas próprias ferramentas.


O próximo é a Machadinha de Olduvai, de 1,2 - 1,4 milhão de anos. Aqui percebemos a diferença de evolução entre uma ferramenta e outra.

Agora a gente salta algumas páginas e vai para a Estatua de granito de Ramsés II de + ou - 1250 A.C. 


Moeda de ouro de Creso, cunhada na Turquia em torno de 550 A.C. primeira moeda formal conhecida.


Lhama de ouro inca, estatueta de ouro do Peru, entre 1400 - 1550 D.C.


CronometrC marítimo do HMS Beagle, cronomcronde latao, Inglaterra, entre 1800 - 1850 D. C.


O livro é perfeito para quem quer aprender ou aprofundar seus conhecimentos em história de uma forma diferente. E até como livro para colocar na mesa da sala, desligar um pouco dos eletrônicos vai proporcionar curiosidades incríveis para trocar entre crianças e adultos.
Super recomendado.

 Dia 19 de Maio fomos no lançamento do livro CLARICE de Roger Mello e ilustrações de Felipe Cavalcante (que também assina o projeto gráfico do livro), da editora Global.

 Já na entrada o Roger e o Felipe falaram do livro, sem entregar a história. Volnei Canônica fez a mediação e ainda ouvimos

 o depoimento emocionado da irmã do Roger.

Os dois nos contam que a história tem muito do real, muito da história de Brasília e história da família deles e que  

“O que é mais inspirado no real é o nonsense”, por incrível que parece. Pra quem é da família o livro trará memorias, pra quem não é, o livro será uma história incrível. Que ficará reverberando dentro da gente.

Depois teve a sessão de autógrafos

e fotos e tietagem!

Então vamos à obra.
A história se passa no período da Ditadura Militar em Brasília. Vemos a história pelos olhos de dois primos: Clarisse e Tarso. Como ainda são crianças, eles não tem bem a noção do que está acontecendo... 

Ouvem pedaços de conversas (pois os adultos param de conversar quando chegam), veem algumas coisa, são mandados par casa de amigos e parentes, enquanto os adultos vão pra lugares que não podem falar, ligam algumas histórias que ouvem dos amigos, que leem nos jornais, que escutam no rádio, participam de algumas ações a noite

 (como jogar livros dentro do lago sem que ninguém os vejam), sentem o medo nos adultos, sentem a opressão, sentem a falta de liberdade, veem os carros de polícia rondando os blocos (quadras residenciais), veem os militares por toda Brasília. Na verdade, de concreto mesmo, só sabem que o Pai e a Mãe da Clarisse desapareceram, não sabem bem os motivos... Ela sabe que o pai escondia livros 

(especialmente um vermelho, mas não sabe qual) e escondia também os livros da escritora Clarice Lispector para a mãe, que a adorava. Mas ela não entende como alguém pode desaparecer por causa de um livro. 

A história é cheia de vazios, de espaços que o leitor preenche com o que sabe ou com o que viveu durante a Ditadura Militar. Embora a obra seja ambientada no regime, ela não fala em nenhum momento de forma didática do período (o que faz da obra, uma obra de literatura mesmo - não um livro sobre história do Brasil, embora fale de um recorte da história do Brasil)... Pelo olhar das crianças vemos como vive uma família que ama livros, em uma época onde livros representam perigo. E, com muita dor, precisam se livrar deles, pois são considerados subversivos.  As crianças não entendiam muito bem a palavra “subervsivo”, mas gostavam tanto da palavra que sempre a repetiam, quando estavam sozinhos.

Na história aparecem muitas referências 

a lugares (com pontes, prédios, quadras, cinemas) e personagens de Brasília, como Burle Marx, 

Maria Martins, entre outros. Você não precisa saber onde são e quem são pra entender o significado deles na trama. 

Na história, como as crianças vivem entre acontecimentos quebrados e sussurros, muitas vezes elas não sabem mais se viveram realmente aquilo ou se são memórias inventadas de recortes de histórias que ouviram... Então sempre tem um ar de "será que isso aconteceu mesmo?".

O final da história também é aberto. E cabe ao leitor terminá-la da forma que achar melhor.

É muito bom. Recomendamos a leitura.

E sobre o lançamento ainda:
 Encontramos vários leitores nossos lá...

 E várias amigas também, embora não saíram todas nas fotos. Grudamos na Fernanda Oliveira do Canal Fê Liz

Desvirtualizamos o Vornei Canônica do clube de assinatura de livros Quindim.

E no final fomos tomar um sorvete com a Fê, faltou luz no Shopping, teve um temporal super forte e demos muitas risadas com o apagão!


Pra quem quiser ouvir um pouco do Clarice, clique AQUI, que o Roger está lendo um pedaço. o som não é muito bom, mas podemos sentir um pouco do clima da história! 


*O nome Clarice é uma homenagem à escritora Clarice Lispector que escreveu uma carta para Brasília (você pode lê-la AQUI)