A Bienal do Livro de SP 2018

Uma das coisas mais legais de se nascer numa família de leitores, é que somos habituados a frequentar bibliotecas, saraus, feiras de livros, entre outros, desde muito cedo.

 E a gente começa ver esses eventos com outros olhos.

 Tive o privilégio de tirar uma semana off, pra viver a Bienal. E a primeira coisa que sempre que faço, quando chego no pavilhão é pegar a programação completa da feira.
E o maaais legal, o que mais vale a pena é assistir e participar das palestas, mesas-redondas e discussões, além da conversa com autores e ilustradores, que acontecem durante o evento. E pra que as pessoas possam participar elas acontecem nos diferentes dias, turnos e horários (se você não pode ir de manhã, tem outra palestra interessante, à noite).

Eu participei de algumas delas e aprendi muito, e muitas questões sobre o livro foram levantadas.
Assisti O Livro Digital, as Bibliotecas e os Leitores -SinBiesp, com mediação de Jânio Mesquita (bibliotecário pela FESP-SP) e as falas de Vera Stefanov, Carlos Seabra e Maria Cristina Palhares. Onde discutiram essa “nova” mídia e como ela está influenciando e modificando a leitura na vida das pessoas (principalmente a dos jovens) e como a biblioteca tem novos desafio (entre tantos que já possui): como selecionar os livros, como emprestar? Precisa emprestar o equipamento eletrônico junto? Como é esse novo leitor?

Outra mesa que deixou muita gente emocionada (por conta dos vídeos onde as palestrantes mostraram na prática o resultado da) foi Leitura para Bebês: Por que, Como e o Quê - Comunidade Educativa CEDAC, com mediação de Sandra Medrano, CEDAC e com as falas de Ana Paula Yasbek e Edi Fonseca. Foi lindo. Elas falaram de como existe um gap enorme nas crianças que não receberam o estímulo da leitura quando pequenas. E esse “buraco” (emocional-afetivo, cognitivo, desenvolvimento da linguagem, desenvolvimento da leitura visual, entre outros), permanece a vida toda.
Foi uma fala apaixonada e cheia de afeto, com o assunto merece ser tratado.

Também fui na mesa-redonda 


O Livro para a Infância Hoje com a mediação de Juliana Loyola, especialista em Literatura Infantil e Juvenil, com a escritora (muito querida)Silvana Salerno, a editora Julia Schwarcz e a ilustradora Cris Eich que falaram o que é literatura infantil (cada um falou sua opinião), qual o livro ideal (também cada uma deu sua opinião), falaram de mercado (o que é, da crise e como o livro está inserido dentro dele), de história da literatura infantil no Brasil, da diferença de livro infantil e literatura infantil. Inclusive o presidente da CBL estava lá junto na plateia e pessoas ligadas a secretaria de educação e cultura. No final abriram pra perguntas e foi lindo de ver professoras vindo do Interior de SC falar dos problemas (que todos sabemos – a literatura não chega na maioria das cidades brasileiras), mas não só isso, indicaram caminhos e soluções, deram ideias e falaram diretamente com pessoas ligadas a Bienal. Discutiu-se o problema, diretamente dentro da Bienal. Nesta mesa pais levantaram pra falar da dificuldade do livro chegar nas mãos dos teens e como eles (os livros) brigam com os eletrônicos. Deram sugestões que daqui há 2 anos, haja discussões, dentro da bienal, sobre e-books e afins. Legal, né?

Estive também ouvido o pessoal falar sobre como A Biblioteca é a Escola sem Currículo. Teve a mediação: Valéria Valls, diretora da Faculdade de Biblioteconomia e Ciência da Informação da FESP-SP, com as falas de Sueli Regina Motta e Cristiane Camizão Rokicki. Suuuper concordo! A biblioteca é um portal para todos os mundos! É onde o conhecimento é “teoricamente” livre para o acesso de todos e como a escola e comunidade deve explorá-la mais e mais. Apresentaram problemas, claro, tudo tem problemas, se a gente for ver, mas mostraram muitos caminhos, também. E tem mais! Vi a fala do Hugo Barros que projetou (com grafitte) um livro inteiro num muro daqui de Brasília. O livro em diferentes suportes. A palestra foi: O Livro sem Papel: o que eu aprendi grafitando livros infantis nos muros da cidade.

Eu assisti de pé (pois estava esperando uma amiga chegar) a palestra da Cris Tavares falando É Preciso Ser Leitor Para Formar Alunos Leitores? Onde ela apresentou o panorama da leitura no Brasil (quem é o leitor, como e o que ele lê, quem lê pra ele ou quem estimulou-o a ler, etc…) e a importância do professor (apesar de todas as responsabilidades e tarefas que já têm)do professor também ler. E muitas outras coisas mais.

Gente! O que tinha de oficina legal!
Jô Oliveira ilustrador deu uma OFICINA COMO SE FAZ ILUSTRAÇÃO.
J. Borges deu uma OFICINA DE XILOGRAVURA (pra quem não sabe ele até ilustrou uma coleção da Cosac Naify).
Outra oficina liiinda que amei (só vi, porque era pra kids) foi com o Pedro Markun que escreveu A ELEIÇÃO DOS BICHOS (que nós do Kids Indoors apoiamos no junto.com.vc), fazendo as crianças colocarem a mão na massa e pensarem sobre o que é uma eleição?!

E a Rosinha, ilustradora, estava fazendo seu novo livro AO VIVO, todos os dias na feira!
As kids puderam ver como uma ilustradora faz um livro imagem e acompanhar o processo de ilustração (desenhos, rascunhos, mistura e escolha das cores, etc...)

Teve uma palestra CORDEL, REPENTE E XILOGRAVURA - PATRIMÔNIO IMATERIAL DO BRASIL, super legal com Rosilene Melo e Paulo Lumatti sobre a importância da valorização da cultura local e sobre como a maioria das pessoas valorizam mais o que vem de fora.
Vi o autor Reginaldo Prandi (Aimó e Ifá, O advinho) falar sobre como seus livros foram queimados numa escola ano passado (foram adotados e os pais se rebelaram), pois tratam de Orixás.
Vi o Ziraldo falando e emocionando pais (vários chorando com os filhos, pois tinham aprendido a ler com os livros dele) e falando que tem em mente várias histórias ainda pra escrever e livros para lançar.
Vi o Daniel Munduruku falando de seus livros e as histórias dos povos indígenas.
E perdi muiiitas outras palestras como ‘Estamos construindo um país de leitores? Desafios para garantir o direito à leitura. Super interessante! Alguém foi? Me conta!

Me encontrei com leitores do Monstrorante! Foi tão lindo receber abraços, e ver livros que as kids fizeram (com o Monstrorante de completar)! <3

E claro, que 







 encontrei pessoas, 


vi livros e comprei livros (mas não só isso).

 Minha dica é: entrar nos sites das feiras, bienais, sempre tem toda programação lá. Foi no evento, procure o quiosques de informações pra saber o que de mais legal vai acontecer naquele dia e participe ativamente de tudo!


Comentários

  1. Alessandra - Sementinha Literária18 de agosto de 2018 21:27

    Depoimento lindo! Aproveitei pouco, mas na próxima irei com mais calma.

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