A ÁRVORE GENEROSA

Dia das mães chegando, e o livro que mais me remete ao amor de mãe é...

A ÁRVORE GENEROSA escrito e ilustrado por Shel Silverstein, da Companhia das Letrinhas (antes era da extinta Cosac Naify).

Eu  peguei o livro na biblioteca da escola, nos anos 80, e entendi o amor incondicional de ser mãe. E decidi que eu seria aquela árvore para meus filhos. Sempre sonhei em ser mãe e tento, ainda hoje, ser a Árvore Generosa sempre. Os anos 80 foram muito especiais pra mim. Foi onde eu descobri mesmo o poder da literatura infantil.

A árvore está lá para o guri.
Ele come suas maçãs, brinca nos galhos, sobe em seu tronco, descansa na sua sombra. Coisas simples que qualquer criança pequena ama.

Ela está inteira para ele. Ele está inteiro para ela.

Porém, a medida que o guri cresce, estas coisas, de ficar junto e curtir o momento, não são mais suficientes e ele tem novas necessidades.

Ele precisa sair e ganhar o mundo...Na verdade o seu quintal lhe parece pequeno e o do vizinho, bem melhor. Então ele quer coisa, dinheiro e esquece de foca no que ele realmente é e precisa e foca no material, nas coisas que ele acha que quer. E com isso ele volta, pedindo mais e mais. Ela lhe dá todos seus frutos, para ele poder vender e ganhar dinheiro. Depois pede os galhos, o tronco... E a árvore dá com gosto. O que ela mais quer é ver o guri bem e feliz. Ela dá sem medidas, sem exigir, cobrar ou pedir nada em troca. Em um mundo onde todos querem sempre levar vantagem ou no mínimo que as coisas sejam sempre em partes iguais (no sentido eu dou um, só se você me dá um também), o livro mostra que podemos, sim, sermos altruístas. 

As vezes o melhor que podemos fazer é só estar presente como uma rede de apoio.

Uma coisa que não vamos no texto, são o uso das palavras mágicas, sabe aquelas: OBRIGADA e POR FAVOR. O guri só pede "ME DÁ" (quase exige, sem gratidão alguma) e a árvore dá. 

E quando está bem velhinho e a árvore já lhe deu tudo e mais um pouco, ele volta pra ficar com ela. Sem querer nada em troca, além da companhia. Só estar presente... Uma pena que ele percebe que ele precisa só "estar presente", no fim da vida.


Um livro lindo. Com ilustrações feitas só de linhas, muita emoção, nenhuma cor. O leitor que preencha com as cores que quiser (com a imaginação!!!).


O livro pode ter inúmeras outras interpretações:
Você pode pensar que a árvore estava errada. Que o livro mostra que o amor incondicional pode destruir uma pessoa. Já que a outra abusa e até cansar e depois vai embora. Volta só se ela se der mal na vida.
Ou que a árvore teve sorte de poder amar de um jeito incondicional, de saber o que é amar.
Que o menino é um egoísta e do jeito que agiu é obvio que ele não amava a árvore.
Que é obvio que ele ia acabar sozinho. 
Ou que o guri ensinou à árvore seu valor. Com ele aprendeu tudo que era capaz de ser e fazer (casa, canoa, banco, etc...)
A história toda pode nos mostrar que nem sempre o amor é reciproco. Não tem como duas pessoas amarem-se da mesma maneira ou intensidade. E pode mostrar também como não amar (até não sobrar nada de você mesmo ou até a morte).
Pode nos mostrar também como não agir: como um menino ingrato, materialista e egoísta ou um pessoa que não pensa em si nem um pouquinho.

O livro que é atemporal pode nos trazer várias lições. Depende de onde você se encontra, depende onde você está na SUA própria história... Você vai absorver de um jeito ou de outro  A ÁRVORE GENEROSA. 
Fica a dica!


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