Mãe de propaganda

Começo a nossa conversa agradecendo a Gisele pelo espaço no Kidsindoors e me apresentando. Meu nome é Catherine, nasci no Uruguay, onde me chamavam de Cathy. Cheguei no Brasil aos 10 anos, aqui virei Cathe (Kate, Cathê, em todas as variações) até hoje. Trabalho como ilustradora de livros, meu ateliê é em casa e sou apaixonada pelo mundo da literatura infantil, crianças e natureza. Sempre sonhei em ser uma mãe de propaganda de margarina, com a mesa cheia de filhos e um cenário de contos de fadas atrás da janela. Na minha fantasia estaria maquiada já no café da manhã, mordendo uma torradinha enquanto arrumava o lanche das crianças. Quando os meninos chegaram (trazendo a realidade junto com eles), descobri que era impossível juntar roupa impecável e bebês na mesma frase. Mas ainda assim queria o cenário de fundo, por ele, abri mão das comodidades de morar perto de escolinha, trabalho, ir no supermercado a pé e poder chegar no centro ou no shopping de táxi. Munida de coragem e espírito pioneiro, convenci o marido e nos mudamos para um condomínio bucólico no meio do pampa gaúcho (ok, na verdade é mata atlântica, mas se eu escrevesse isso vocês me imaginariam numa casa na árvore). Aqui descobri que os vizinhos são os parentes mais próximos, que os passarinhos são o despertador e que muito além da filosofia de propaganda de sabão em pó, se sujar dá vermes. Sem tele-entrega, sem internet e dependendo da boa-vontade do celular, aprende-se a ser mais verdadeiro, mais real, dançar ao ritmo da natureza (e dos mosquitos).
Entendi que não existiam mães de comercial de margarina, que cada uma passa na sua torrada o que tem à mão e muitas vezes come a torrada seca, isso quando dá tempo de comer.
No meu caso, descobri que sou uma mãe de manteiga. Manteiga em todos os sentidos, faço bolo de manteiga, biscoito de manteiga, não poderia estar naquele comercial, derreteria.
Agora, 15 anos depois, decidimos viver tudo de novo, a expectativa de gestar um ser, de fazer o melhor por ele e de aproveitar todos os minutos, porque cada gravidez é única (e esta certamente a última). Escrever no blog será uma forma de dividir experiências e me sentir conectada com outras mães (e pais), afinal de contas se tem uma coisa que aprendi na vida de pioneira é a reconhecer e multiplicar a cumplicidade natural que une na maternidade. 

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