Dicas para ententer crianças presas em casa
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Hoje vou falar sobre minha primeira leitura do ano.


MAC E SEU CONTRATEMPO de Enrique Vila-Matas, da Companhia das Letras.

Mac é um homem que está escrevendo um diário. A empresa de construção da família faliu e ele está desempregado aos sessenta anos.  Ele depende totalmente do trabalho da mulher (que não ama mais), que é restauradora de móveis e nunca imaginou estar nesta situação.

Começa a escreve um diário, pois tem o desejo de ser escritor e a princípio,  quer escrever um livro que pareça inacabado, como se interrompido bruscamente (pela morte, por exemplo), mas que na verdade, está acabado.

Mas a medida que escreve, começa a focar em outras questões, como a REPETIÇÃO, e como ela está presente nas nossas vidas.

E claro que ele tem algumas repetições diárias, como tomar um drink, ler o horóscopo no fim do dia e fazer links com os eventos pelos quais passou. Sempre acha que há mensagens diretas pra ele, escondidas nas previsões.

A medida que escreve começa a analisar outras questões (além da repetição) sobre literatura, livros, linguagem, ser leitor, escritores e ser escritor, formas de escrever e o ato de escrever.


"os parágrafos perfeitos não resistem ao tempo, porque são apenas linguagem: são destruídos pela desatenção de um linotipista, pelos diferentes usos, pelas modificações; em suma, pela própria vida."


“… essencialmente, todos nós somos repetidores. A repetição, gesto humano onde quer que haja humanos, é um gesto que eu gostaria de analisar, de estudar a fundo, para modificar as conclusões a que outros chegaram. Será que conseguimos fazer alguma coisa nessa vida que não seja a repetição de algo já previamente ensaiado e realizado por aqueles que nos precederam?”


"escrever é tentar saber o que escreveríamos se viéssemos a escrever"


"'A arte está na tentativa, e esse modo de entender o-que-está-fora-de-nós usando apenas o que temos dentro de nós é um dos trabalhos emocionais e intelectuais mais difíceis de fazer.'"


"Walter Benjamin em 'Sombras Curtas'; ' Signos Secretos. Todo conhecimento deve conter uma pitada de contrassenso, assim como, na Antiguidade, os desenhos dos tapetes e frisos em algum ponto de desviavam um pouco de seu curso regular. Em outras palavras, o decisivo não é o avanço de um conhecimento para outro, mas a brecha que se abre em cada um desses contrassensos'. Essa fissura que se abre nos permite acrescentar detalhes nossos à obra-prima inacabada"


E com o passar do tempo, ele começa a reler um livro quase esquecido por todos, escrito por um vizinho (começa a ficar muito obcecado por ele) e pensa em reescrevê-lo, para melhorá-lo, já que tem várias partes super chatas e maçantes.
O livro se chama: Walter e seu contratempo, e foi escrito por Sánchez, quando este estava muito bêbado. É um romance formado por pequenos contos, que narraram a vida de um ventríloquo que sofre da maldição de ter apenas uma única voz. Walter fala da sua jornada em busca da “cura” para seu mal. Cada capítulo do livro "Walter e seu contra tempo", é escrito de uma forma diferente, pois Sánchez  imita a forma de narrar de importantes autores, como Jorge Luis Borges, Hemingway, Malamud, entre outros. Mac se envolve tanto com o livro que ele começa a compará-lo com sua própria vida e acaba descobrindo até alguns segredos do passado.

É um daqueles livros que você termina já com uma lista enorme de livros e escritores para ler em seguida! Amo!

Recomendo o livro pra todos os apaixonados por livros que fala de livros, escrita e literatura. 

Pra comprar: https://amzn.to/2ECZEeh

Recebemos estes dois livros lindos da Susanne Straber, pela Companhia das Letras.
Susanne é uma escritora e ilustradora alemã com grande facilidade de chegar aos pequenos leitores. Nos dois livros os desenhos são simples, os textos curtos e as histórias cumulativas. O Lucas com 3 anos, adora. Como o cabelo do personagem parece com o dele, eu leio "Lucas" no lugar de "menino". Ele sempre pede para reler (muitas vezes).

Bem Lá no Alto

Uma delícia de livro, com tudo que os pequenos (e eu, claro) gostam. Um urso, um bolo, um coelho, um porquinho, uma galinha, um cachorro e um sapo. O urso avista um bolo no parapeito da janela mas é muito alto, não consegue alcançá-lo. Os outros animais vão chegando página a página para tentar ajudar. Um conto de acumulação com final surpreendente.


Com poucos elementos visuais e cores chapadas é o tipo de história para contar de novo e de novo sem enjoar! 

Capa dura e papel fosco completam o projeto gráfico vertical, que se eleva junto com o olhar dos bichos. Letra bastão para facilitar a vida do leitor iniciante mas o livro permite leitura compartilhada com os menorzinhos.


Muito Cansado e Bem Acordado

Este livro segue sendo um dos preferidos do Lucas desde que chegou. Um conto cumulativo para a hora de dormir. O porco-espinho, a raposa, o burrico, o pelicano e o jacaré estão bem cansados, só a foca que está bem acordada. E ela levanta para ir ao banheiro.

Em cada página um dos animais sai da cama por aqueles motivos que as crianças encontram na hora de protelar a chegada do sono.

Mas para onde vão todos? O porco-espinho acaba sozinho na cama. 

Dá pra aproveitar as onomatopeias na hora da contação, com direito até a pum!


Dei uma espiadinha no site da autora e tem mais livros bacanas por lá. Já estou curiosa para saber qual será o próximo que a Companhia das Letras vai trazer para o Brasil.

Como já compartilhei, coloquei como meta em 2018 ler livros escritos por mulheres ou sobre mulheres, com dois objetivos: ampliar meu repertório sobre autoras e também incentivar o trabalho de mulheres. Por isso, fizemos uma parceria com a Companha das Letras, que você pode acompanhar nesses posts aquiaqui, aqui e aqui.

Porém eu não esperava o novo lançamento de Paul Auster, já que seu livro Trilogia de Nova York é um dos meus preferidos. Ele me encanta pela sua narrativa investigativa, pessoal e que mistura realismo e fantasia, autobiografia e ficção, acasos e resgate do passado.

Então, quando vi o lançamento pela Companhia das Letras me joguei na leitura do 4 3 2 1, que segundo a própria editora, apresenta como o mais ambicioso romance do autor pela narrativa simultânea de 4 rumos diferentes da história do mesmo personagem.




Sim, você leu certo: narrativas simultâneas. Neste formato desafiador, porém muito interessante e fácil de acompanhar, o autor nos propõe reflexões sobre como as escolhas diretas e indiretas (feita pelo contexto do período, pela família, etc) impactam na construção da nossa identidade. Além disso, o livro tem mais de 800 páginas, o que dificulta um pouco seu manuseio e mobilidade – uma vez que eu adoro ler em trânsito no ônibus, metro ou viajando.

A história de 4321 passa nos EUAs, principalmente em Nova York e New Jersey, pós-guerra e acompanha a história de Archie Ferguson, nascido em 1947 (assim como autor). A história apresenta como tudo começou, a história até o encontro do seus pais, e depois segue acompanhando o crescimento de Archie, mostrando esses diferentes cenários possíveis – “o que aconteceria com o mesmo personagem se as suas relações e condições financeiras e familiares fossem outras, como se a mesma pessoa habitasse universos paralelos.”

Eu ainda estou na adolescência de Archie (isto é, lá pela pág 150), então acompanhe no instagram do Kidsindoors novidades sobre o livro, que vou postando nas férias.

Agora, depois de ler sobre tantas mulheres em 2018, confesso que estou estranhando bastante ter um protagonista homem, e fico mais na interessada sobre a mãe e tia de Archie, que são mulheres muito interessantes apesar de bem diferentes


Se joga!


Este é o ultimo post de 2018 sobre a parceria com a Companhia das Letras com foco em autoras mulheres. Se você ainda não viu, decidi mergulhar no universo da literatura feminina – aumentando meu repertório e conhecendo mais sobre os temas, as narrativas e histórias escritas por mulheres. Você pode acompanhar os demais posts aqui, aqui e aqui.

Pra terminar o ano, já em clima de Natal (alô, olha que super presentes), decidi mudar um pouco a lógica e buscar conhecer mais sobre mulheres inspiradoras! E por isso, vim compartilhar duas biografias de duas mulheres: Michelle Obama e Sheryl Sandberg. Afinal, também podemos reconhecer a importância do papel dessas mulheres em seus contextos e pelas suas histórias vividas.

Michelle Obama dispensa apresentações. Há tempos o EUA não se apaixonava por uma primeira dama. Competente, carismática e forte, Michelle ganhou tanto destaque como o marido pela sua atuação na Casa Branca.




Seu currículo impressiona: formada na Universidade Princeton e na Faculdade de Direito de Harvard, iniciou a carreira como advogada na firma de advocacia Sidley Austin, posteriormente trabalhou no escritório do prefeito de Chicago e no Centro Médico da Universidade de Chicago. Ela também fundou em Chicago a filial da Public Allies, uma organização que prepara jovens para seguir carreira no serviço público. Além, é claro, de ser a primeira dama – e vale destacar a primeira afro-americana a ocupar essa posição.

Em sua biografia, Michelle “convida os leitores a conhecer seu mundo, recontando as experiências que a moldaram — da infância na região de South Side, em Chicago, e os seus anos como executiva tentando equilibrar as demandas da maternidade e do trabalho, ao período em que passou no endereço mais famoso do mundo”, conforme o próprio site da editora. Eu estou bem curiosa pra conhecer mais da história dessa super mulher, que trouxe com sua atuação, uma discussão importante do papel da mulher nas relações – públicas e privadas. Pra mim, ela redefiniu totalmente aquela velha ideia de que “atrás de um grande homem sempre tem uma grande mulher” – ela é uma grande mulher ao lado de um grande homem.

Se inspire no carpool Karaoke com Michele e James Corden:






Sheryl Sandberg vem do mundo corporativo, e ficou conhecida por ser chefe de operações do Facebook. Ela já atuou no Google e no gabinete do Departamento do Tesouro dos Estados Unidos no governo Clinton. Ela foi considerada pela revista TIMES uma das cem pessoas mais influentes no mundo e uma das dez mulheres mais poderosas do mundo pela revista Forbes.




Mas o seu grande impacto não vem desse currículo - diretamente, mas da discussão que vem promovendo sobre liderança feminina. Ela começou a se questionar porque apesar de tantas mulheres nas empresas, elas não ocupam a mesma quantidade de cargos de liderança? Porque estamos sempre no questionando? Porque temos dificuldade de reconhecer as nossas competências e potencialidades?

O título do livro já um convite às mulheres: Faça acontecer!  Sheryl investiga as razões desse problema e oferece soluções práticas e sensatas para que nós mulheres atinjamos todo o nosso potencial.  Para conhecer mais sobre a autora, você pode assistir o seu TEDx, porém gostaria de destacar essa fala que mostra o tom dessa importante conversa que precisa ser feita:

“Se testarem homens e mulheres, e lhes fizerem perguntas sobre critérios totalmente objetivos, como média das notas, os homens erram ligeiramente por excesso, e as mulheres erram ligeiramente por defeito. As mulheres não negoceiam sozinhas no mercado de trabalho. Um estudo nos últimos dois anos sobre pessoas que entram no mercado de trabalho depois da universidade, demonstrou que 57% dos rapazes que entram — ou homens, acho eu — negoceiam o seu primeiro salário e apenas 7% das mulheres o fazem. E mais importante, os homens atribuem o seu sucesso a eles mesmos, e as mulheres atribuem-no a fatores externos. Se perguntarem aos homens porque é que fizeram um bom trabalho. eles dirão: ‘Porque eu sou um espetáculo. Obviamente. Porque é que perguntas?’ Se perguntarem o mesmo às mulheres, elas dirão que alguém as ajudou, tiveram sorte, esforçaram-se imenso. O que é que isto nos diz? Diz-nos algo muito importante porque ninguém chega a um cargo de responsabilidade sentando-se ao lado e não à mesa. Ninguém obtém a desejada promoção se não achar que merece o seu sucesso, ou se não compreende o seu próprio sucesso”.



O livro é de 2013, isto é, não é novo, mas especialmente neste ano de 2018, me conectei muito com coletivos femininos e com essa ideia de potencializar a ação das mulheres dentro do mercado em que estou inserida –  que é o de Design e Inovação. Começamos a nos reunir e criar uma lista que pudesse aproximar as mulheres a novas oportunidades de palestras, trabalho, conexão e parcerias (quer fazer parte, se inscreva aqui). Tem sido um experimento importante para quebrar aqueles velhos paradigmas de que mulheres são competitivas entre si. Na verdade, a gente a pode ser o que quiser. A Sheryl no seu livro, nos propõe algumas respostas super atuais e que ainda precisam ser discutidas, amadurecidas e incorporadas por nós!


Para saber mais:

Faça Acontecer – Sheryl Sandberg: