Crianças francesas não fazem manha

Queria ter postado ontem. Estava louca pra contar sobre o livro!
Mas como sou de Santa Maria-RS, preferi ficar em silêncio. Embora eu tenha muitos parentes e amigos, não perdi ninguém que conhecia, Graças a Deus.

Ao receber, folhei o livro e imediatamente me deu uma vontade louca de começar a lê-lo. Acabei ás 3 da manhã! Devorei-o entre fazer almoço, janta, ser interrompida umas dezena de vezes pelas crianças (solicitando coisas), lanche e paradas para escrever no Face que recomendava urgentemente a leitura dele para algumas amigas grávidas e com bebês recém nascidos.

ADOREI! Mas, quando terminei-o, fiquei com uma tristeza (lá no fundo) de não ter sabido de algumas das coisas que a autora cita no livro antes de ter tido filhos.

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CRIANÇAS FRANCESAS NÃO FAZEM MANHA - Os segredos parisienses para educar os filhos. PAMELA DRUCKERMAN. Editora: Fontanar, ISBN: 9788539004294

Quando estava grávida procurei livros sobre bebês e gravidez... me indicaram aquele O que esperar... e confesso que achei uma chatice, li 1/3 e abandonei-o. Li vários outros que tb não me recordo o nome e, sendo uma mãe neurótica e obsessiva, tentei juntar todas coisas boas das teoria e fazer uma só pra mim. 

E em todos os livros que li a mãe, assim que o bebê sai da barriga, é automaticamente colocada em segundo, até terceiro plano e a criança ganha o centro do universo. E não só isso: a mãe precisa sacrifica-se em prol da família, em prol da criança (é só ler blogs maternos para ver o quanto as mães deixam de fazer coisas que gostam e precisam - principalmente dormir, cuidar de si mesmas - para que a criança pequena cresça feliz). Como se para criar crianças felizes a mãe precisa NECESSARIAMENTE sofrer e sentir-se culpada por não estar fazendo mais. E eu me incluía nesta categoria até sexta-feira passada, antes de começar a ler este livro.

A autora do livro é uma americana casada com um britânico que mora em Paris. E depois de ter uma filha e passar por mais uma experiência desastrosa num restaurante (criança sem paciência faz birra, come parecendo um tornado e rápido, os pais precisam revezar: um devora a comida enquanto o outro sai correndo atrás da criança que faz zigue-zague entre as mesas, derrubando coisas e gritando - quem nunca presenciou uma cena assim? De seus próprios filhos ou de desconhecidos?) repara como as crianças francesas são pacientes (mesmos os bebês), educados e felizes. Quais os segredos atrás disso? Sendo jornalista de profissão, Pamela decide investigar.

E embora perguntasse para os pais, todos diziam que nada, só estavam educando as crianças. E esse educar é que ela esmiuça para nós, mães e pais desesperados por noites de sono e refeições com comidas quentes! Hehehe!

Não vou contar os "segredos" do livro, porque acho que as mães precisam lê-lo para entender todo o processo e eu resumindo posso esquecer de uma parte importante, mas vou contar algumas partes das coisas que achei mais interessantes (não necessariamente na ordem em que aparecem no livro).

*Primeiro as francesas amamentam pouco, em torno de 2 meses e pouco. Quando o bebê completa 3 meses elas já não amamentam mais e estão de volta a sua forma física de antes da gravidez.... Tudo sem sacrifícios, só "ficando alerta" para o seu próprio corpo.

Antes que me atirem pedras por eu achar isso interessante, e me dizerem que amamentar cria anticorpos e filhos mais saudáveis e coisas do tipo, quero dizer que em minha defesa, que embora meu filho tenha arrancado um pedaço do meu mamilo, por ter uma sucção bem forte, amamentei-o até os 11 meses (e parei porque ele não quis mais) e minha filha até ela ter 1 ano e 3 meses. Mas eu fui amamentada por 1 mês só e sou suuuuper saudável. E mais: meus irmão, embora tenham sido amamentados por bem mais tempo, tiveram várias doenças de crianças, como catapora por exemplo, eu (que mamei no peito tri pouco e embora ficasse junto - dormindo, brincando, tomando banho) não peguei nenhuma!  

E as crianças francesas são muito saudáveis. A autora dá referência de pesquisas sobre saúde dos bebês e crianças francesas o tempos todo. 

*Os bebês, mesmo com 3 , 4 meses dormem a noite toda (SEM QUE OS PAIS PRECISAM DEIXAR O BEBÊ CHORANDO HORAS NEM MINUTOS SOZINHOS NO BERÇO). Eles cientificamente entendem as fazes do sono e ajudam o bebê a aprender a dormir! E essa ideia de que o bebê precisava aprender a dormir é TÃO ÓBVIA que fiquei frustrada por não me dado conta dela há 9 anos atrás.

*Como as mães não amamentam muito, elas conseguem estabelecer, sem sacrifícios para o bebê, horários das mamadas e, por incrível que pareça, os bebês franceses mamam às 8, 12, 16, 20 hrs!!! Sim, 4 refeições por dia, como qualquer outra pessoa da família. Não fiquem alarmadas...  eu fiquei maravilhada com essa capacidade das mães fazerem as crianças se adaptarem a vida da família e não o contrário. Óbvio que isso não é feito radicalmente, tudo respeitando o ritmo da criança. 

* Toda educação é baseada no CADRE, que quer dizer moldura, o ideal francês de educação: "estabelecer limites firmes para as crianças, mas dando a elas grande liberdade dentro desses limites" p.13 Os pais franceses são muito firmes no que diz respeito a educação (concordo plenamente com eles) dizer NÃO é fundamental. O livro diz que todos os seres humanos tem desejos. A birra das crianças vem da vontade que esses desejos sejam atendidos imediatamente e que não devem ser satisfeitos, mas os pais devem ouvir sobre eles e falar sobre eles, e que isso faz toda diferença.

*Não enchem as crianças de atividades extra curriculares, não acham tão importantes. Não estão querendo que os filhos aprendam tudo agora, por que sabe-se lá o que serão quando adultos ou competindo pra ver que criança aprende primeiro a ler, a escrever a falar... todos querem que os filhos desabrochem naturalmente. Sem estimular constantemente. Que a criança tenha o prazer de descobrir-se e descobrir as coisas, sem pressa.

*A criança aprende a brincar sozinha, ela tem tempo de ficar sem ter o que fazer (entediada até) e aprende a entreter-se com o que estiver ao seu redor. E isso é bom. 

Eu sempre, sempre fiquei com as crianças (deixei de trabalhar fora e de terminar minha pós graduação). E ficar de estar sempre presente, sempre junto lendo, fazendo alguma coisa interessante para elas, estimulando-as sempre. A maior reclamação da minha mãe é que meus filhos não sabiam ficar sozinhos. E agora li no livro o porque de deixar a criança ter seu tempo e de como isso mais tarde é importante para a saúde mental dos pais também!

*As mães não surtam em pracinhas, gritam e correm atrás dos filhos (com eu faço muitas vezes, confesso). Há uma forma diferente de falar com crianças. Os termos usados são outros. Os pais não dizem: NÃO FAÇA ISSO. Dizem: "-Você não tem o direito de fazer isso." Eles ouvem este tipo de frase desde pequenos, assim como ouvem: "-Você tem o direito de brincar, o direito de fazer tal coisa..." Esse tipo de frase mostra pra criança que ela vive em grupos onde outras pessoas também possuem desejos, vontades e necessidades. Gostei muito destas frases. Pretendo incluí-las mais, de agora em diante. 

Uma das coisas que fiz intuitivamente e que os pais franceses também fazem:

*Desde que meu primeiro filho nasceu eu estabeleci que ele teria hora pra ir pro quarto e não sair mais, a noite. Quando ele completou 2 meses de vida, comecei a colocá-lo na rotina da noite. Banhos sempre no mesmo horário, historinha, mamada e depois silêncio total na casa, até ele pegar no sono. E depois de 1 mês, às 20hrs ficou estabelecido como o horário que ele naturalmente dormia e não saia mais do quarto (embora eu entrasse lá centenas de vezes durante a noite, para dar mamadas, trocar fraldas e fazê-lo dormir de novo e de novo e de novo). E isso acontece ainda hj. 20hrs, banho, 20:30 história e cama. Nas férias ficam um pouco mais. E lá na França também fazem isso em prol da saúde do casal. Os pais precisam de um tempo só deles para manter o casamento vivo. E eu concordo. Hora dos adultos. Rotina é fundamental na vida de uma criança, dá mais segurança à ela.

 
O livro também fala de muitas outras coisas como escola, alimentação, a importância da mãe ter tempo só dela, e de se ver como mulher sempre, não algo a parte. De como as crianças francesas aprendem a ter paciência e a esperar. Fala também da importância do cumprimentar-se, do viver em sociedade, sempre comparando a vida francesa com a americana (e diria até brasileira porque muitas coisas são parecidas). Tem muitas e muitas outras partes muito interessantes e valiosas, mas o post já está enorme! Ficaria escrevendo por horas!

Não sei se os pais franceses REALMENTE são assim, mas gostei muito do livro, uma leitura gostosa e com informações realmente úteis.

Meu livro está todo rabiscado, li-o com um lápis na mão, sublinhando as partes que deveria ter feito, colocando asteriscos nas que fiz (intuitivamente), além de passagens que concordo plenamente. E algumas anotações minhas complementares. Não vou ter mais filhos, mas ainda dá tempo de tentar corrigir algumas coisas, principalmente na parte de alimentação! E a minha irmã e cunhadas ganharão exemplares, assim que engravidarem! Podem esperar!

#Recomendo muito!  




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