Dicas para ententer crianças presas em casa
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Então, você sabe o que é empatia? A resposta que virou clichê é "se colocar no lugar do outro" (é a nova palavra do tipo globalização - que todo mundo fala, mas na real, já perdeu o sentido)

Maaaas pra muitos, este OUTRO é tããão distante, como se, ao falar OUTRO, imediatamente afastasse uma pessoa para dois metros, no mínimo, de distância. Outro como vara, como medida de distância e separação. Falo isso por que outro dia no grupo de whatsaap de uma das kids, uma mãe mandou o print de uma reportagem sobre covid-19 e ela, a mãe, afirmava que os outros só morriam por que tinham alguma doença, então não havia tanta necessidade de fechar comércio e ficar em casa preso, blá blá blá... 

Como dizem aqui no sul: montei num porco! 

E falei: "A questão é: quem está perfeitamente bem de saúde? Quem da imensa maioria do povo brasileiro faz checkups regulares pra saber se tem alguma doença?

 Na minha família, pela lógica de só os que estão em risco, são os que tem algum problema, eu morro, meu marido morre, minha irmã morre, meus pais e sogros morrem, minha cunhada morre, basicamente todos meus tios e tias. Alguns primos, também. Ninguém escolha ter câncer, ter asma, bronquite, ter hipertensão, diabetes ou nascer com problema do coração. Na minha família só meus filhos sobrevivem. Não são os outros... E estes outros doentes têm nome e são a família de alguém." Pronto. Silêncio no grupo por 24 horas. 

Agora vai começar o post.

Poderia é um verbo no futuro do pretérito. Será que é uma possibilidade, uma chance ou é uma afirmação de que não é, não tem mais jeito, ou quem sabe, um dia, isso possa mudar? 

Amei o livro PODERIA da Joana Raspall e Ignasi Blanch, da Brinque-book.

É um livro que joga o leitor, no lugar do outro, ou melhor, um jogo para se imaginar sendo criado em outro lugar, com uma cor de pele diferente, com roupas diferentes, com costumes diferentes, falando uma língua diferente, brincando com coisas diferentes... E como é importante estar de braços abertos para acolher o outro. Ou seja, um verdadeiro exercício de se colocar no lugar do outro. Mas aqui o OUTRO aproxima, o OUTRO como próximo.

Já parou pra pensar que o outro pode ser o próximo a morrer e que isto só dependa de você?

Para comprar: https://amzn.to/386Uft3
Vocês se lembram daquele jogo de juntar os pontinhos pra formar uma figura, que tinha nas revistinhas de antigamente?

 Pois esta semana fiquei juntando pensamentos, pulando de um para outro, para ver se eu formava uma uma justificativa pra tudo isto que está acontecendo. E acho que consegui ver "the big picture"! Nos últimos anos muita gente tem saído de suas casa por N motivos: violência, pobreza, guerras, fome, intempéries, ou somente ir em busca de condições mais dignas de viver. Gente, famílias inteiras atravessando terra, ar e o mar(!!!) pra chegar em outro lugar. E como eles são recebidos? Com balas, muros ou cercas, com portas fechadas, com gente reclamando que vão tirar emprego dos nativos, que vão roubar e aumentar a violência, que vão isso e aquilo... Não são acolhidos, ou raramente são acolhidos.

Então o planeta pensou. Ah! Querem fechar a porta na cara dos OUTROS? Então todo mundo vai ficar trancado, ameaçado, sem convívio, longe dos seus afetos e se pisar fora de casa, morte(!), pra ver se isso é bom! Se isso é jeito de tratar o próximo!

O que acham? Tô viajando muito?

Tudo isso pra falar deste livro imagem fantástico da Mariana Chiesa Mateos, publicado pela Editora34. 

 Há 2 histórias que se cruzam no meio do livro. Há 2 capas. 


De um lado acompanhamos uma família fugindo, 

junto a tantas outras. 



 Vira o livro e do outro lado...

   Do outro lado, uma mulher que parte sozinha,

mas não sabemos se por vontade própria ou necessidade.

 Há dor, medo, violência, mas junto tem coragem e esperança também.


Este ano migramos de volta para o sul. Como aves migratórias voltamos para casa. E mesmo querendo voltar, não foi fácil. Não consigo imaginar a dor das pessoas do livro. Mas tento entender e acolher. E você? Que pontos tem ligando por aí?

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Você já parou pra pensar que pode ajudar a publicar um livro?

O Kids Indoors sempre está de olho no que está sendo produzido nos diversos sites de financiamento coletivo ou crowdfunding que existem.

Já apoiamos vários projetos, só este ano foram 6 livros.
Vamos falar hoje de mais um, que achamos super legal e que já está na sua reta final:

 
A obra "A menina que abraça o vento – A história de uma refugiada congolesa" é um olhar emocionante sobre as crianças refugiadas, com autoria de Fernanda Paraguassu e ilustrações de Suryara Bernardi. A campanha está no ar no canal Infanciar da plataforma de crowdfunding Juntos.com.vc. As contribuições podem ser feitas em qualquer valor, com a opção de adquirir o e-book, o livro impresso e outras recompensas. Há também uma opção, voltada para escolas e professores, que inclui um caderno de atividades para trabalhar o livro com as crianças. A Vooinho, selo infantil da Editora Voo, é que está fazendo esta campanha de financiamento coletivo para publicação do livro.


E eles têm um projeto super legal que se chama UM POR UM - Na Vooinho, assim como na Voo, todos os livros trazem junto um projeto de contrapartida solidária. Cada livro A Menina Que Abraça O Vento vendido terá 5% da receita revertida ao PARES Cáritas-RJ.

Com 40 anos de atuação, a Cáritas do Rio de Janeiro tem um trabalho pioneiro de assistência a refugiados no Brasil. O Programa de Atendimento a Refugiados e Solicitantes de Refúgio (PARES) é apoiado pelo Alto Comissariado das Nações Unidas para os Refugiados (ACNUR) e promove o acolhimento, a proteção legal e a integração local daqueles que chegam ao Rio de Janeiro.

O prazo final da campanha é 22 de novembro e o site para participar é: www.infanciar.juntos.com.vc/amenina

Sobre o livro:
A Menina Que Abraça O Vento é um livro infantil com uma narrativa doce e leve sobre a história de Mersene, uma garotinha que fugiu do triste conflito da República Democrática do Congo. Enquanto se adapta à nova vida no Brasil, Mersene, que teve que se separar de parte da família, cria uma brincadeira para driblar a saudade.

A história de Mersene foi inspirada em histórias reais de diversas meninas congolesas refugiadas na cidade do Rio de Janeiro. Foi na convivência com famílias refugiadas que a autora Fernanda Paraguassu observou a tocante capacidade dessas crianças em superar a dor e a saudade.

Sobre a autora:

Fernanda Paraguassu é jornalista e autora do livro Buenos Aires com crianças – aventurinhas na terra do dulce de leche. Inspirada nos próprios dilemas de mãe, escreveu a coluna Manhê! no site do GNT. A jornalista, que começou a carreira cobrindo economia em Brasília, é desafiada agora a trazer um texto leve para estimular o debate sobre como lidar com adversidades na infância. Fernanda, que morou com os filhos na Argentina e em Jerusalém, acredita que as crianças podem nos ensinar muito mais do que imaginamos.

Sobre a ilustradora

Suryara Bernardi é uma ilustradora mineira com muito talento. Sua arte já estampou diversos livros infantis, revistas, materiais didáticos, dentre outros. O colorido e a leveza de seus traços foram determinantes na sua escolha para compor este projeto. Com certeza, Suryara saberá dar vida à personalidade da nossa Mersene.

Super bacana! Nós já estamos apoiando. Queremso ver muitos livros lindos e emocionantes produzidos!
Mas pra realizar a publicação, as gurias precisam de mais apoiadores.
Ajude! Participe! Seja parte deste sonho também!

Olá, aqui é o Cássio e hoje eu vou falar sobre uma HQ famosa e que fez bastante sucesso:

Persépolis, de Marjane Satrapi
NOME: Persépolis {completo}
ANO: 2000
AUTORA: Marjane Satrapi
GÊNERO: Biografia

A história também é divida em 4 partes e vendido em 4 livros diferentes.
Para ver as versões, clique AQUI.

Persépolis é um livro em quadrinhos lançado em 2000 na França. Ele conta a história de sua autora, Marjane Satrapi, que é iraniana e viveu a época da revolução islâmica em seu país, com guerras civis, exteriores e violência do exército e polícia do Irã. 

Persépolis conta a sua vida, e nós iremos falar sobre a versão completa. Marj (nome mais curto) nasceu em 1969 e aos 10 anos viveu a derrubada do Xá e a transformação de seu país de uma monarquia para uma república islâmica. O livro fala de como sua família sofreu, seus familiares que foram presos políticos, amigos que foram mortos durante a guerra e sua fuga para a Áustria em 1983 para fugir de seu país, onde encontrou vários problemas de como socializar, perdendo dinheiro, amigos e quase morrendo de pneumonia.

O livro é desenhado em preto e branco, com um estilo único de desenho, que conta bem sua história com detalhes ótimos.

Com o sucesso de vendas e crítica, o livro ganhou uma adaptação animada ao cinema, em 2007, que recebeu tantas aclamações quanto o livro, já que conta a mesma história com o mesmo estilo, mas animado em vez de apenas imagens.

Recomendo bastante o livro, uma das melhores graphic novels que eu já li, ótimo pra quem quer um livro que fale sobre a guerra do irã ou sobre a adaptação de um estrangeiro à um mundo totalmente diferente do que ele vivia (irã-áustria).

Obs: Não há sexo explícito, mas menciona sexo, quando ela vai morar na França.

Um outro país para Azzi, texto e imagens de Sarah Garland, editora Pulo do Gato. 
A capa já toca o leitor, gerando angústia, preocupação pelo que acontecerá com a protagonista durante o desenrolar da história.

Azzi era uma menina como qualquer outra. Seu pai era médico, sua mãe fazia vestidos e a avó tecia cobertores. De manhã, ela ia na escola e à tarde brincava com os amigos. O que torna a história de Azzi diferente é que ela morava em um país em guerra, e a cada dia a guerra chegava mais perto da sua casa.


De forma dramática, porém leve, a autora nos conta a saída da menina do seu país após o estouro dos conflitos, com poucos pertences e deixando seu bem mais precioso para trás, a avó.

Todas as dificuldades sentidas no país que a recebe, os costumes, a nova escola, a comunicação, superadas passo a passo para nos ajudar a sentir o que ela sentiu.


Além de acompanhar os passos da menina, o livro nos guarda uma delicada metáfora a partir dos feijões que o pai trouxe de seu país.

A história é contada em quadrinhos, com bastante branco e cores vivas, amentando o clima de esperança que o livro evoca, já o contorno em nanquim puxa para a dura realidade.
Necessário e essencial até, para falar sobre fronteiras, conflitos e mostrar aos pequenos que a humanidade é uma só.

Estou apaixonada por este livro.


A VIAGEM de Francesca Sanna, publicado no Brasil pela V&R Editoras.

Tanto pelo texto, quanto pelas ilustrações e pelo fim aberto #spoiler.

Não tem como uma mãe não ficar emocionada e sentir empatia por essa mãe que, de uma hora pra outra, tem sua vida devastada e virada do avesso.

O texto é narrado em primeira pessoa por uma das crianças. 

 Vem a guerra, ela perde o companheiro e agora sozinha, 

precisa fugir e proteger os dois filhos. Arruma as malas e foge com os dois, sem rumo certo.

Pouco a pouco vai perdendo pedaço das coisas. De dia é corajosa e segura as pontas. Quando as crianças dormem, 

ela pode desmoronar um pouco, como a maioria das mães o fazem. Sensível e verdadeiro. A autora entrevistou e pesquisou casos reais de pessoas migrantes e em fuga para fazer o livro.
 
O que uma pessoa, uma mãe é capaz pra salvar sua família? 

Refugiados: largaram tudo e partem pra sabe-se-lá-pra-onde, pra sobreviver, a mercê de outros humanos não tão humanos assim. Pais e mães, tios e padrinhos, crianças que não tem escolha, se não, tentar sobreviver e andar... até, quem sabe, encontrar um lugar melhor no mundo, um lugar seguro. Um lugar onde eles possam viver em paz. 

O livro pode ser só lido pelas imagens, embora tenha texto. As ilustrações complementam-no. São ricas e profundas. Nelas a imaginação e preocupações estão tão presentes, quanto a realidade. A criança vai perceber os temores da mãe, as dúvidas e imaginação das crianças durante esta viagem. Uma história para todas as idades. Uma história real como tantas outras.

Lindo e super atual. Necessário em qualquer biblioteca. Amei. Tudo. Super recomendo!