Este é um post super especial com os melhores do ano, na visão da Gisele. Lembrando que somos 4 por aqui. Depois vocês vão conhecer os top das outras.
Nosso TOP é diferente dos demais blogs e sites, sempre foi. Desde 2008, quando começamos, escolhemos os melhores livros que lemos no ano, não os melhores livros publicados no ano, até pq não temos acesso a todos. Então, de tuuuudo que lemos este ano, aqui está a nossa primeira lista (e aparecem não do melhor pro menos melhor, ou vice-versa, mas por ordem de lembrança):
O primeiro TOP livro de 2021 recebemos no Kit do clube de assinatura de livros ilustrados para adultos: @clubeetc.etal!
E como falar do livro sem dar spoiler?
Li, reli, tropeço numa palavra: Farol. Já imaginei uma beirada de mar e o farol iluminando... Mas ao virar a página, vi que não batia com o que eu tinha pensado e tive que avançar na leitura e depois voltar algumas páginas, pra reorganizar a narrativa. Já que Farol, quer dizer sinaleira, pra nós aqui do Sul. Hehehe
E esse vai e vem de criar a narrativa na nossa mente, testar hipóteses, não entender a sequência, voltar e repensar a história de novo é uma das características do livro-imagem e tb do livro ilustrado, claro. É o leitor se colocando como coautor da narrativa, bem como Gustavo Piqueira propõe. E amei!
Já escrevi pras amigas dizendo que ela precisam deste livro e falando do Clube Etc.etal.
Vamos usar nas nossa oficinas de escrita criativa e de ilustração!
De noite, a Ceci leu e me pus a observá-la lendo: risadas, espanto, sobrancelhas arqueadas, boca aberta, emitindo Ós, risinhos e outros sonzinhos de felicidade e admiração.
No final ela me falou: mãe, passei a maioria da história com a boca no formato do O, como o título do livro!
A narrativa ainda demonstra o conceito de Deleuze, onde a repetição leva à diferença. E me lembrou dois livros: um o Gustavo até mencionou no final do seu O, Chapeuzinho Branco. O outro é o livro Black & White. Mas não vou dizer os motivos que me levaram para estes outros livros, pra não dar spoiler. Hehehe. Não tem a ver com o O, mas tem. 🤭 Podemos conversar depois que todo mundo ler a obra! Ah! O livro foi publicado pela @lote42.
Tava tri feliz contando nos Stories, lá em janeiro, que tinha acabado de receber um pacote do @clubequindim! E que já ia mostrar o livro... E "POW!" Um soco no estômago. Que livro!! O MENINO QUE VIROU CHUVA de Yuri de Francco e Renato Moriconi, da editora Caixote.
Nossa... Não consegui mostrar por lá.
Como captar um sentimento dentro de um livro?
A pergunta que os próprios autores se perguntam no início da narrativa, que aliás começa fortemente já nas guardas inicias. O branco que o livro apresenta me parece a passagem do tempo, um tempo necessário para que o leitor assimile o que se passa com o guri.
As margens assimétricas (que vão diminuindo com o passar das páginas) também auxiliam na contagem e passagem do tempo.
O tempo é tão forte nessa narrativa!
Quanto tempo pode durar o choro de um menino?
Queria falar tantas coisas!
Mas não quero dar spoiler pra não estragar e tirar o prazer da experiência e da descoberta do leitor com o livro.
A cor como sentimento é o que mais mexeu comigo.
Ano passado parece que não acabou ainda, né? Pois eu tive uma leve depressão. Leve pra quem olhava de fora, claro. Comecei a me tratar online e um dos primeiros sonhos que tive foi:
Via uma família (com 10 filhos) super colorida rindo, felizes pousando para uma foto. Mas tinha uma coisa cinza que atrapalhava essa visão. Quando virei para esquerda vi que era eu: pessoa + árvore. 2/3 árvore toda cinza quase morta e 1/3 (na parte do tronco) uma velha cinza e preta, plantada em frente a um muro laranja amarelado.
Com a terapia estou tentando trazer minhas cores (metaforicamente) de volta.
Quando vi esse menino cinza, chovendo e como a história toda se resolve... Nossa! Quanta esperança! Vi que já passei da fase central da narrativa e estou no 1/3 final, assim mais perto de voltar a sentir cor.
Que baita livro! Que baita livro! Parabéns!
Desde 2008, quando comecei a fazer os TOP 10 do ano, o critério não era lançamento do ano, mas os livros mais lidos ou descobertos naquele ano.
Afinal, nem sempre temos acesso aos livros no ano de lançamento.
Na COMPANHIA DE BELA: Contos de fadas por autoras do século XVII e XVIII, de Susana Ventura e Cássia Leslie , com ilustrações e projeto gráfico da Roberta Asse, publicado pela editora Florear Livros.
O livro já foi premiado aqui no Brasil e já estava na nossa wishlist desde 2019, quando a Cathe o viu na feira do livro de Porto Alegre!
Naquela época chegamos a mostrar no nosso Stories, se não me engano.
Este ano conheci a autora Cássia e sua paixão pelos contos de fadas! Fiquei super encantada!
E mais ainda com o livro!
A publicação traz algumas das "preciosas", assim eram chamadas as primeiras mulheres que de fato publicaram contos de fadas. E como num conto de fadas, sob alguma maldição ficaram esquecidas por séculos, até as duas pesquisadoras encantadas, Cássia e Susana, resolveram trazer à vida, estes contos, estas mulheres e suas histórias!
Entre 1690 e 1715, na França, foram publicados 114 contos de fadas em livros, destes, 74 foram escritos por mulheres! Mas até agora, onde estavam?
No livro temos contos de 6 delas: Marie-Catherine Le Jumel de Barneville, que foi inclusive quem batizou o termo "contos de fadas", Jeanne-Marie Leprince de Beaumont, Charlotte-Rose de Caumont de La Force, Marie-Madaleine de Lubert, Marie-Jeanne Lhéritier de Villandon e uma anônima, que foram as pioneiras do gênero!
Cada conto traz uma pequena biografia, como um infográfico, da sua autora e um pequeno texto sobre o conto em si.
As ilustrações e design brincam e interagem com o texto. Além nos levarem de volta aos antigos livros de contos de fadas, com suas cores, guardas, vinhetas e letras enfeitadas.
E pra nossa felicidade este é o volume 1 de vários! Para comprar e ter um exemplar lindo, só seu, basta falar inbox com a Cássia do IG @editoraflorearlivros. Ela pode mandar o livro autografado!
Uma preciosidade! Me sinto o cavaleiro Afortunado de um dos contos: Amei descobrir 5 autoras que não conhecia! E é um baita exemplo pras gurias. Perrault, Andersen, os Grimms são importantíssimos, mas também há mulheres apagadas, que merecem ser conhecidas e adoradas!
ESCOICEADOS...
Este livro é uma porrada, ou coice, que fica reverberando dentro da gente.
Curto e grosso o poema me deixou pensando na quantidade de gente que não tem acesso a beleza, a liberdade, a educação, a uma vida melhor... Pessoas limitadas pelas questões socioeconômicas... E o quanto estamos presos e reproduzimos os modelos dos nossos pais, avós, bisavós, etc... É difícil sair de um modelo pré existente! Ainda mais num país tão desigual quanto o Brasil.
Um filho compara a sua vida e a vida do seu pai, com um animal que seu pai comprou a troco de banana. Um animal rude, sem beleza: um burro empacado, que não consegue sair do lugar.
Os versos são curtos; o poema, trancado e sonoro. No melhor estilo: a vida como ela é. Mas pq ela precisa ser assim?
O poema é de Donizete Galvão, com ilustrações de Carlos Clémen, publicado pela Musa Editora.
O livro ainda tem o posfácio de Priscila Figueiredo, poeta e crítica. Recomendo muito.
BRINCADEIRA DE CASINHA, Índigo. Publicado pela Ciranda Cultural.
É muito incrível como o universo conspira...
Estava eu conversando com minha psico sobre a mulher que quero ser pra mim e que exemplo de mulher quero ser pra minha filha... Já que, com a pandemia, eu sou praticamente a única mulher que ela viu/conviveu em 1 ano e meio, com raras exceções, isso até ela voltar pras aulas presenciais, claro.
Daí chega um livro, que pula na frente dos demais da pilha... Que justamente fala sobre uma guria, virando teen, e tentando se compreender e querendo descobrir que mulher ela quer ser. E quase tudo acontece dentro da cabeça dela, com os hormônios a mil, e sem tecnologia, lá no ano de 1984.
Cássia não tem onde ficar depois da aula, agora que a mãe voltou a trabalhar. Então, ela vai ficar na casa de um colega de turma, que é cuidado pela vó. Ela nunca falou com ele e ele não fala (de jeito nenhum) com ela.
Assim, começa, dentro da cabeça dela, um relacionamento sério, para fazer do guri, um rapaz maduro.
Tudo na cabeça dela, repito. Muito real e possível que tenha acontecido com qualquer uma de nós, quando criança e muito possível que nossos filhos passem por isso.
O primeiro amor não correspondido; se compreender com parte de uma família; como parte da escola; se descobrir mulher e ter (ou não) o apoio de outras mulheres; considerar um pet, um filho; descobrir novas paixões; ter empatia e buscar incluir e ajudar o outro a resolver seus problemas; querer distância dos pais (ao mesmo tempo que sofre com isso) e muito mais.
Um livro muito humano, como todos os livros da @indigo_hoje.
Eu amo mesmo os textos dela. Um dos meus livros favoritos é o Cobras em Compotas, onde cada conto me lembrou parte da minha infância também.
A Índigo tem disso, ela conecta o meu eu de agora, com o meu eu de antigamente, fazendo a narrativa parecer que aconteceu na minha própria vida e ela apenas pegou minhas lembranças e colocou-as magicamente num livro, só pra eu não esquecer.
SAGATRISSUINORANA, de João Luiz Guimarães e Nelson Cruz. Editora OZÉ.
Ganhou o Jabuti!!!! Por si só já merecia estar na lista! Mas é muito mais. Gente, que livro!
Vamos por partes...
SAGA- TRIS- SUINO- RANA
Saga: Narrativa ou história de ficção com mais de uma parte ou repleta de incidentes;
Tris: Relativo ao número três (pelo som: "triz" - por um fio, por um quase-nada);
Suina: Relativo ao porco;
Rana: [Gíria] Ladrão do mar.
Pra mim o livro tem várias partes. A parte do texto. que fala de uma história sobre 3 porquinhos abrasileirada. A forma do texto: lindamente escrito, de uma forma floreada e indireta, traz lembranças do Guimarães rosa, com sua escrita ritmada, com metáforas, neologismos e aliterações, fazendo a linguagem torcer-se para ficar entre a poesia e a prosa. L I N D O.
E tem a parte das ilustrações que trazem duas histórias diferentes paralelas que se encontram no final! Gigante! Triste. Real. Nas ilustrações, a fantasia, a ficção da história infantil dos 3 porquinhos encontra a vida de verdade, a maldade e descaso dos homens, a tragédia!
A de ATIVISMO, Innosanto Nagara, da Bamboozinho editora.
Foi traduzido pela Aloma.
Um livro grande sobre cidadania para kids pequenas... Na verdade, para toda família, pois o livro traz, de uma forma forte, bonita e, ao mesmo tempo, simplificada, uma educação em direitos humanos.
Um livro com um abecedário diferente de todos os outros que vi. Ele acredita no leitor dele e não usa diminuitivos e nem usa a linguagem de forma simplista. tem várias palavras abstratas e complexas como OMISSÃO, DEMOCRACIA, SANEAMENTO, IMPUNIDADE, REPUDIAR, SUSTENTABILIDADE, GARANTIAS, ATIVISMO, EQUIDADE e tantas outras...
Um livro sobre valores, compromisso, solidariedade. Um livro-compromisso: para conversar sobre democracia e construir o cidadão ativo de hoje e do futuro.
AS LINHAS NO ROSTO DE NANA, De Simona Ciraolo, traduzido pela Alice Ruiz, com quarta capa de Ana Maria Machado e publicado pela @ftdeducacao.
Completamente apaixonada por este livro!
É a história de uma neta que, durante o aniversário da vó, começa a observá-la. A neta se dá conta de que nunca sabe o que a avó está pensando, sentindo em função de todas as linhas do seu rosto. Então ela questiona a vó: o que são essas linhas? A Nana responde que são memórias. A guria desconfiada pergunta mas "Que memória é esta aqui?", aponta para uma uma linha e avó fala só uma de um certo acontecimento. Ao virarmos a página, vemos como o evento foi de fato.
As cenas são longe de perfeitas e idealizadas, como o leitor pode ter achado, na frase da avó. Mas vemos que há sempre a irmã junto, cúmplices. É muito lindo. Tanto as lembranças, quanto o encontro da neta com avó e também a delicadeza que trata a memória e velhice.
Muito afeto, muito carinho.
As Ilustrações são liiindas e delicadas.
Amamos!
#EuAmoLerFTD
Super recomendo.
Ah! E tem cupom de desconto KIDSINDOORS20, no site da #FTD.
EU FALO COMO UM RIO, de Jordan Scott e Sydney Smith, da @pequenazahar. Um dos melhores livro publicados esse ano (na nossa opinião). Vai estar entre os 10 mais... Um menino que tem um mundão dentro de si, mas as palavras ficam presas no fundo de sua garganta. R quando saem, não é do jeito que ele quer. Uma história bonita sobre ser acolhido pela família em tempos difíceis. Uma história sobre aprender a ser você mesmo, se aceitar e encontrar beleza em você.
Lindo e sensível.
Minha única ressalva é que precisaria ter uma página em branco (ou de outra cor) separando o fim da narrativa, com a explicação do autor. Não dá tempo do leitor, saborear a história que ele entendeu, sem ser "contaminado" pela explicação.
A explicação enriquece, sim. Mas o leitor precisa de um tempo sozinho, antes.
Super recomendo a leitura.
OS INVÍSIVEIS, Tino Freitas e Odilon Moraes, da Companhia da Letrinhas.
Os invisíveis, versão antiga co o Renato Moriconi, já tinha passado por aqui. Anos depois, Tino e Odilon resolvem fazer uma nova história, sim, nova. Pois quando modifica-se o ilustrador, a narrativa ganha outro sentido, outra vida.
O texto permanece quase igual, acho que só muda a frase sobre encontrar um amor. Texto maravilhoso, ainda mais atual na pandemia. Quem são os invisíveis da sua cidade? Da sua vida? Você vê todo mundo de verdade?
As ilustrações são todas com uma caneta preta, não há mais cores, como na outra versão, além da caneta preta e a cor do próprio papel.
O leitor, não é como o menino da história que vê todos. O leitor sente o incômodo de ser omisso, de passar os olhos e não enxergar de verdade. O leitor adulto, digo. Será que as crianças vão perceber? Vão sentir? Vão questionar a falta de identidade, de rosto, de pele, de mãos?
Um livro sensível e delicado, forte e muito potente. E, claro, super necessário.
JULIAN É UMA SEREIA, Jessica Love, Boitatá. Este livro também apareceu anos atrás aqui, mas em inglês. Eu o comprei assim que foi publicado no Brasil, não aguentei.
O livro é lindo, mas pode ser polêmico para algumas famílias.
É a história de Julian, que após uma aula de natação e ver algumas mulheres vestidas de sereia, começa a se imaginar sendo uma, se transformando em uma.
Quando chega em casa, com a avó, ele resolve se vestir de seria e se transforma. Quando sua vó chega na sala, vemos Julian, como na capa. O que será que a senhora vai fazer?
Um livro lindo sobre aceitação (olha o spoiler, aí). Pode ser mesmo que o guri queria ser uma sereia, pode ser também que ele só queria brincar de se fantasiar, pode ser que está na época do halloween ou carnaval e ele só queria brincar de se divertir...
É um livro lindo! As ilustrações, as cores, o turquesa em cima do papel craft escuro são maravilhosas. Eu amei, a Carla amou, a Cathe amou e a Luiza amou. Todo mundo babando pelo livro. Graças a Deus ganhei um sorteio e recebi um da Nina, do Mar de Histórias! Agora tenho um em português também pra chamar de meu.
O MENINO E O MAR, Lulu Lima e Lalan Bessoni, da Mil Caramiolas editora.
Como você vê o mundo? Existem formas diferentes de ver?
Nesta história vemos um menino com medo do mar, encontra uma menina que ama essa imensidão toda.
Os dois sentados diante do azul infinito começam a encarar o mar, o vento, a areia de uma forma muito linda e inteira, com os cinco sentidos, como presente e presença.
O azul, elemento forte da narrativa nos embala entre realidade, curiosidade, hipóteses, descobertas e fantasia.
Liiindo, lindo. Daqueles que quando a gente termina, faz um carinho na capa e volta pra dentro, pra ler de novo.
Sei que estamos na Pandemia AINDA, mas o câncer não espera. Aproveite que as pessoas vão tirar férias e vá fazer teus exames.
Eu fiz meus exames em Janeiro de 2017, mas coloquei todos os envelopes numa gaveta e só em Maio lembrei deles. O que aconteceu? Por eu ter demorado, perdi uma mama. Claro que foi melhor que perder tooooda minha vida, mas perdi a mama.
Se tivesse visto antes, isso não teria acontecido.
Falo por ter em mãos uma graphic novel que trouxe aquela sensação de ser arrastada pra dentro de um liquidificador de novo. MAMÃE ESTÁ COM CÂNCER, Brian Fies, da editora Dark Side.
Os filhos descobrem que a mãe está com câncer de pulmão. A chance de sobreviver é de 5%.
E o filho, que é autor, começa a estudar o assunto e documentar as fases da família.
Além da capa ser liiiinda! Olha este rosa!!! Vontade de lamber a capa #soudessas.
O livro mostra os 3 filhos (muito diferentes entre si), mãe doente e o corpo clínico que a trata dela. Mostra muito o lado do paciente, como a cabeça da gente parece que para e sai do ar, e de repente a gente fica em modo: Luta.
Postei aqui as imagens que mais lembram o que passei e ainda passo sinto os efeitos colaterais nas mãos, como a mãe da história.
Uma história sensível, sobre como a doença afeta, não só o doente, mas todo um círculo de pessoas. Ninguém está preparado pra presença do câncer. Muda muito. Muda tudo.
Fica a dica. Ganhei este livro comovente da @darksidebooks e do artista Brain Fies. Ganhou o prêmio Eisner (tipo Oscar dos quadrinhos). Recomendo pra quem conhece alguém que está passando por esse problema. Ajuda a entender o lado do paciente e família.
E por último, vamos encerrar com um SUUUUPER teórico!
Se você chegou aqui no Kids Indoors, no post dos TOP livros de 2021, deve amar livros tanto quanto eu! Por isso, corra para comprar essa bíblia FUNDAMENTOS GRÁFICOS PARA UM DESIGN CONSCIENTE, da Raquel MatsuShita, da Musa editora!
Confesso que eu, de início, tive pena de riscar, mas depois eu precisava sublinhar, marcar para poder voltar e reler e usar em alguns artigos meus. O livro é recheado de informações relevantes, você vai querer sublinhar tudo, pode ter certeza!
O livro aborda como se faz um livro de uma forma consciente, pensando nele como um todo. O que é um livro de qualidade? Como é feito? Tudo no livro importa, nada está lá por um acaso. O livro da Raquel ajuda o leitor e quem trabalha com literatura entender o motivo de cada cor, de cada fonte, de cada dobra estar ali e potencializar o texto e a leitura. Tem histórias, curiosidades, tem teoria de uma forma clara e dinâmica, tem exemplos bem explicados e de fácil visualização, não tem enrolação. Tudo ali é muito útil pra quem pensa, faz e cria livros. Completo. Necessário para qualquer amante de livros.
Este livro foi um achado. Daqueles que ficam reverberando dentro da gente.
O que é ser professor? Como uma pessoa se descobre professor? É vocação, destino? O que é a Academia? Pra quem se destina? Qual a sua função? O que é ser um excelente professor? Como transmitir sua paixão pela literatura para os outros?
Neste ano de 2021 eu entrei em 3 grupos diferentes de estudos, sobre 3 ramos diferentes dos muitos caminhos que a literatura tem. Um dos grupos foi da Talula Trindade, da @letra_emendada. Lá conversamos sobre infâncias e docência. Foi a Talula que nos apresentou este livro incrível.
A escrita é linear, super reflexiva e intimista. Meu livro está todo sublinhado. E já li de novo. Muito bom.
Foi um ano muito difícil de escolher os top! Coloquei e tirei da lista um montão de outros livros. Fico triste com o tantão de livros que não entraram, mas ó, tem uma lista gigante aqui no blog e outra lá no nosso Instagram: @kidsindoors
E você? Quais são seus livros TOP 2021?
Chegou aquela época do ano que fazemos um balanço de tudo que lemos!
Nota: não estamos postando por ordem de preferência, mas sim, na ordem que lembramos. Todos eles foram lidos diversas vezes e super indicados nos nossos grupos de whatsapps e redes sociais.
E, nos últimos 3 anos, temos feito a lista em conjunto (antes cada uma de nós 4 fazia uma lista).
Ficamos emocionadas tanto com a narrativa (pictórica e textual), quanto a qualidade da publicação, da Prosa Nova Produções Culturais. ⠀ ⠀
OPA significa vovô em alemão. Eu também tive um Opa. O meu cantava em alemão quando ficava sozinho, distraído com seus pensamentos. ⠀ ⠀
OPA é a história de uma guria que tem um avô genial, super inventor de máquinas diferentonas e de histórias incríveis sobre o passado e futuro. Ela é encantada com esse avô!⠀ ⠀
Porém, de uns tempos pra cá ele esta misturando as coisas e ficando cada vez mais quieto… Será que ele está bolando um novo projeto super secreto? A guria vai dar uma de detetive pra descobrir o que de fato está acontecendo.⠀ ⠀
As ilustrações do @adilsonfarias são maravilhosas, cheias de detalhes, muito sensíveis e nos deixam sem palavras em várias passagens da história. O texto é curtinho, bonito e em caixa alta. ⠀ ⠀
Como já falamos dele mês passado, vou dar um pequeno Spoiler: Fala da relação neta-avô com o Alzheimer. Eu queria falar mil coisas, maaas não quero estragar a experiência da leitura, do livro em mãos. ⠀ ⠀
Para saber mais: @adilsonfarias e não deixem de visitar o www.prosanova.com.br/projetoopa – uma linda iniciativa de cultura e educação.⠀
MORDISCO A CAÇADA MONSTRUOSA, de Emma Yarlett e editora Ciranda Cultural. Mordisco é um fofoooo! Ele ama livros tanto, mas tanto que os devora literalmente!
O guri ama ler e tem uma pilha de livros ao seu lado, inclusive o 1° livro do Mordisco. E, num virar de páginas (essa ação mágica), Mordisco sai do livro pra devorar o próprio livro que estamos lendo!
O guri corre atrás e entra pra dentro dos seus livros pra tentar deter o monstrinho. Daí embarcamos numa jornada pulando, escalando, engatinhando pra dentro e fora de livros. Que coisa mais gostosa!!!
Este é o 3° volume da série. Já mostramos aqui o primeiro, onde conhecemos o monstrinho, o segundo ele invade um livrão de dinossauros e nesta terceira aventura ele quer devorar uma biblioteca inteira! Mas, já vou dar spoiler. Ele consegue fugir! Então, acho que mais livros deles virão!
Ehhhh! Gente! Eu amo a coleção do PUM da Blandina Franco e José Carlos Lollo, publicados pela Companhia das Letrinhas.
E quando saiu um de banho, fiquei encantada. O motivo: é muito difícil ter livros brinquedos nacionais de qualidade. O custo é caro, o material (impressão) vem de fora. Os de banho que encontramos, na sua grande maioria, são feios e sem graça.
Este é o segundo livro de banho de autores nacionais que temos e ficamos super felizes com o resultado, com o produto final.
Não é só um livro com palavras e imagens soltas, para bebês. Tem uma história, divertida, com início, meio e fim. As ilustrações, com poucas cores, mantém a paleta dos livros para os maiorzinhos, mas acrescenta o azul (da hora do banho), são muito fofas (tem muitas coisinhas que mudam de lugar em função da narrativa) e o trocadilho do sentido das palavras arranca risadas de adultos e crianças.
CÉU MAR MAR CÉU de Renato Moriconi, editora Jujuba.
Mais um livro para bebês? Ou kids pequenas. Um livro informativo diferente.
Nós amamos os livros do Renato. Temos dezenas deles aqui no blog. Ele é sempre surpreendente. Se vir um livro dele, pode comprar sem medo!
Neste livro ele questiona: O que tem de céu no mar e de mar no céu?
Um escafandrista e um astronauta levam o leitor a descobrir semelhanças e diferenças nessas duas paisagens.
As ilustrações são pinturas que exploram as cores, texturas, manchas e formas do céu e do mar. Um livro que movimenta nosso pensar… Nos leva pra longe, pra cima e pra dentro!
Eu amei este livro! As ilustrações da vaca se escondendo são muuuuito engraçadas!MIMOSA À ESPREITA, de Alexander Steffensmeier, da Telos editora.
Mimosa é uma vaca que todo dia, espera ser ordenhada logo. Pois está ansiosa pra se esconder. Mas qual o motivo? Ela ama assustar o carteiro!!!
Vou dar esse pequeno spoiler. Pq as cenas são hilárias! Ela escondida em cima da árvore, ou atrás da pedra, dentro das coisas. Kkkk
É muito divertido descobrir onde ela está, nas páginas. Além dela tem várias outras mini cenas acontecendo e toooodo desenrolar da narrativa em si.
Minha guria ficou bem empolgada com o livro. As ilustrações da vaca são maravilhosas. E o desfecho muiiito legal. A Telos editora vende uma outra história da Vaca Mimosa, do aniversário dela (já queremos!!!), cartonado, para kids pequenas. Não que esse aqui também não seja para elas! Pra ler de novo e de novo e de novo!
Claro que a gente já tinha lido esta história antes, e, se não me engano, já apareceu aqui no blog… Porém, este ano foi publicada pela Intrínseca e virou nossa edição favorita!
Confesso que não gosto de histórias de assustar. Não curto terror também. Mas Coraline me seduziu porque retrata duas mães. E o olhar da literaturainfantojuvenil com o tema em questão, muito me interessa.
Eu amei. Super recomendo, ainda mais está edição caprichada com muito roxo, fita pra marcar página, capa dura, verniz na capa, ilustrações assustadoras do Chris Riddell e texto maravilhoso do Neil Gaiman.
Nenhuma das minhas kids quiseram ler o livro, tão pouco ver a animação.
Livro/história que prende a atenção do leitor do início ao fim e que é bem melhor que o filme! Coraline descobre uma porta secreta que contém uma versão melhorada do seu próprio mundo. A diferença é que todos têm botões no lugar dos olhos e seus pais (nesse novo mundo) são super presentes e carinhosos, diferente dos pais no “mundo real” que estão sempre ocupados. Mas a guria logo percebe alguns comportamentos estranhos e a outra mãe, a perfeita, vai tentar mantê-la eternamente nesse mundo paralelo.
Agora você deve estar se perguntando pq minhas kids não quiseram ler?
Pois bem. Acho que eles têm medo de me ver como a mãe do outro lado da parede. Hehehe. Não que eu seja terrível, longe disso. Mas eles nunca gostaram de livros sobre o tema, embora eu sempre adorei ler histórias sobre mães, pra elas.
E vocês? Já leram #coraline? As kids gostaram? Conta pra gente.
Descobri este livro este ano, por isso entra na lista de 2020!
?Cómo se lee un libro? De Daniel Fehr e ilustrações de Maurizio Quarello, editora Oceano Travesía. Foi publicado primeiro na Itália, em 2018.
Um exemplo típico de livro-álbum informativo. A história já começa na capa com dois personagens brincando com um grande ponto de interrogação. Passada a página de créditos, com as informações bibliográficas e ficha catalográfico… O livro começo de cabeça pra baixo! O cenário está virado, e temos as duas personagens da capa agarrados, tentando não cair para o infinito que está no pé da página. Eles se dirigem diretamente ao leitor: “O que você está fazendo? Tens o livro de cabeça pra baixo.”
E já começam a dizer pro leitor o que ele precisa fazer: virar o livro! Há uma relação imagem-texto forte, mudando o jeito que o conhecimento é constituído, entendido e comunicado.
As imagens ganham mais importância na transmissão de conhecimento, que o texto em si, neste caso. O conhecimento é transmitido levando em consideração o livro aberto, páginas duplas, como no livro ilustrado.
Há uma narrativa visual e textual importante para a compreensão do funcionamento deste livro informativo. Falando em texto, o livro é em quase todo em forma de diálogos. Cada personagem tem uma cor para sinalizar (visualmente) sua fala e naturalmente o leitor vai percebendo que tem uma ordem de leitura. Primeiro da página da esquerda, depois as da direita e lendo as falas mais ao alto primeiro e da direita para a esquerda, aprendendo assim, como funciona o texto para que tenha um sentido, dentro da história.
Ah! E que ele, não importa o quanto ele gire, sacuda, mexa o livro, para a história acontecer de verdade, ele precisa ir em direção a contracapa. Ao mesmo tempo que as duas crianças falam com o leitor, novas situações vão sendo incorporadas à página. A medida que o leitor vira o livro, ou o sacode, conforme as instruções que vai recebendo, alguns personagens ficam felizes outros brabos e intrigados, outros ficam perdidos, a medida que novas histórias se cruzam, com as dos personagens da capa. Cada virada o leitor tem uma perspectiva da história, como se, dentro do livro, pudéssemos ter uma visão de 360º.
Só que uma hora as histórias ficam tão bagunçadas, pois cada personagem quer que o livro fique do seu jeito, que as duas crianças fazem um cartaz com instruções simples: ^ pra cima; v pra baixo; > virar.
E assim as crianças da história festejam o leitor que conseguiu chegar ao fim do livro. Vemos nas ilustrações que os outros personagens seguem para suas próprias histórias, como se nada de anormal tivesse acontecido, menos a bruxa que continua carrancuda. Virando a página vemos (na página da esquerda) um monte de pedrinhas e na outra as duas crianças (João e Maria!) que dizem estar super orgulhosos do leitor e que a história termina aqui… Daqui por diante precisam se separar, mas que o leitor não fique chateado, há muitos livros no mundo e agora que ele já sabe como se lê um livro, pode ler qualquer tipo.
Ainda tem uma última página, sem ilustração, onde há uma pergunta ao leitor: se ele identificou as 5 histórias famosas, pelos personagens que entraram na história deste livro? Se não, o leitor precisa girar o livro, para descobrir.
Mesmo que uma criança pequena não saiba ler o texto escrito, acompanhado as ilustrações, ele entenderá o mecanismo necessário para ler a história e assim, brincar com o comportamento leitor. “A leitura autônoma, continuada, silenciosa, de gratificação imediata e livre escolha, é imprescindível para que o próprio texto ensine a ler”. Teresa Colomer (editora Global, 2007) Tomo emprestada as palavras da Colomer pra dizer que para as ilustrações isso também é verdade.
As próprias imagens ensinam à criança a resolver o problema inicial, proposto pelo título. As imagens têm um papel ativo na interpretação das informações, elas despertam, divertem, instigam, inspiram e nutrem a curiosidade do leitor, que também tem um papel ativo neste livro.
Outro livro que não é de 2020, mas redescobri-o por conta do nascimento do meu sobrinho. Vasculhei o blog e vi que não havia falado dele ainda. Então vamos reparar essa falha!
DUPLO DUPLO de Menena Cottin, da Pallas editora.
É um livro com capa e contracapa iguais. Aquele livro que brinca com o leitor.
Quando começamos a pegar um livro, ainda bebês, não sabemos decifrar os códigos dele. Muitas vezes “lemos” o livro de cabeça pra baixo mesmo, até que alguém nos corrija. Este livro brinca com essa fase de aprendizagem.
Não importa por onde você começa, sempre vai estar certo! Pegue de um lado, tem uma palavra e uma figura. Vire a mesma página de cabeça pra baixo, temos a mesma figura, mas agora vira o oposto e uma nova palavra se apresenta!
O livro traz ainda muito contraste: brincando só com silhuetas e as cores preto, branco e vermelho.
Assim que bati os olhos nesta capa fui teletransportada para o interior do Rio Grande do Sul, pra fazenda da minha vó Link (sim, Link é meu sobrenome).
Lá os primos passavam horas fazendo bonecos de gravetos, folhas e frutas (como limão, bergamota, laranja e as vezes batata e milho, também- que não são frutas, mas servia de corpo). Passávamos 30 dias na fazenda, brincando com coisas da natureza! A TV era só para os adultos, mas o campo era das kids.
Também me lembrei da @sercriancanatural e sua #Bibliotecadafloresta.
Você conhece a Ilha de Corso? Well, foi a última viagem (aqui na Terra) da autora Angela-Lago! O Pedro sonhou com bichos muito diferentes… E contou para a amiga Angela.
Que imediatamente identificou de onde eles vinham e passaram a estudá-los. Ela convidou o amigo José Roberto Torero pra conhecer alguns desses habitantes, da Ilha de Corso, e tava feita a parceria! Junto com a editora Moderna, uma enciclopédia que misturava ciência e imaginação nascia.
Ao lermos o livro, imediatamente após, a Ceci achou um dos habitantes no seu quarto! Imagina! É só ler que eles aparecem!!! Duvido que você consiga ler e não pensar (e querer fazer) em um bichinho só seu! Que livro lindo! Super recomendo a leitura e a procurar alguns desses serzinhos pela casa (ou escola depois da quarentena, claro).
O PEQUENO PRÍNCIPE PRETO, de Rodrigo França e Juliana Barbosa Pereira. Editora Nova Fronteira.
O livro é o desdobramento de uma peça de teatro que foi escrita pelo autor deste livro.
Quando o clássico Pequeno Príncipe caiu em domínio público, várias novas versões ganharam vida. Nesta versão temos um pequeno Príncipe Preto que vive em um planeta pequeno onde só há espaço pra ele e para uma Baobá. Porém nesta história o príncipe tem 3 missões: 1. espalhar sementes da sua baobá; 2. compartilhar a filosofia Ubuntu (que é “nós por nós”) e 3. falar sobre ancestralidade e a beleza de ter o cabelo, os olhos, o nariz, a boca, a cor que o povo afrodescendente tem. Cada um, diferente do outro, mas irmãos.
O livro não poderia deixar de falar sobre o cativar, além de trazer questões sobre como estamos nos relacionando, uns com os outros, e as tecnologias.
As ilustrações são marcantes e muito bonitas e não entregam tudo. Há sempre uma parte que precisa da imaginação do leitor, pra ser completada. Amo isso! Para cada leitor, uma leitura diferente!
Confesso que foi um daqueles livros que me conquistou pela ilustração da capa, depois fui ver o título e o conteúdo… E fiquei muito feliz de ter sido fisgada pela capa!
Uma das primeiras músicas que lembro da minha tia Mari cantando pra mim, foi A Casa, do Vinicius de Moraes. Lembro da primeira vez que eu ouvi, como minha tia sacudia a cabeça cantando e os cachos dela faziam toin,toin!
Este ano chegou A CASA em formato de livro! E toda aquela onda de afeto voltou com força total! A Silvana Rando, junto com a Companhia das Letrinhas, fez um livro cartonado, em forma de casa (ou arca!) para bebês e kids pequenas!
Uma FO FU RA! E atenção para as ilustrações: são fofas e divertidas. Observe tuuudo pra descobrir o que está acontecendo! Por vezes o texto diz uma coisa e as imagens mostram outra e o contrário também acontece!
Poesia, musicalidade, diversão , livro, colo e afeto: A CASA é um presente completo pras famílias leitoras!
Eu ri muito da música e era só alguém começar a cantá-la, pra eu começar a rir muito e sentir o abraço da minha tia e todo aquele afeto e carinho.
E sem um livro sobre morte, a lista DESTE ano, não estaria completa. Que ano, minha gente! Que ano triste!
Que livro!
PODE CHORAR, CORAÇÃO, MAS FIQUE INTEIRO, de Glenn Ringtved e Charlotte Pardi.
Uma das coisas que acontecem, quando começamos a estudar literatura infantil mais a fundo, é que começamos a ver os detalhes mais criticamente. Assim que este livro saiu pela editora Enchanted Lion, corri pra comprá-lo (é dinamarquês e foi traduzido para o inglês, aí comprei).
Livro lindo, capa dura com jaqueta, folhas foscas em um tom puxado mais amarelhinho bem clarinho. E as ilustrações puxadas para um turquesa acinzentado. Lindo! Lindo! Lindo!
Título super poético: Chore, Coração, Mas Nunca Quebre. Fiquei imensamente feliz que a Companhia das Letrinhas traduziu e editou… Maaaas… Ao ler, além das pequenas mudanças na capa (título e autores em diferentes fontes, cor e posição, além de não ser capa dura), não ter guardas coloridas, na edição brasileira faltou 2 ilustrações que abrem e fecham a história com mais poesia. As páginas são brancas e o texto também ficou simplista (perdendo poesia) em algumas partes. Confesso que não chorei, mas meu coração quebrou um pouquinho! 💔
A edição da Companhia das Letrinhas é bonita, super vale a pena, fala de como a morte vem, naturalmente, levar todos nós. Poético e cheia de emoção, a história vai encantar várias gerações. Fica a dica.
É um daqueles livros que são um presente pro leitor. Este ano, com a pandemia, vimos que o mundo não vive sem arte. Foi a arte que não deixou a gente enlouquecer dentro de casa.
E, ao completar 25 anos de carreira, o autor nos brinda com a arte da palavra e da imagem, dentro de um objeto livro.
André vai buscar na memória, os poetas que inspiraram-no pela vida.
A lista é grande e linda. Com maestria, ele, André, captura a essência da poesia de cada um dos 15 convidados e nos mostra cada poeta, quando criança e como ele brincaria com as palavras e a poesia. É como se ouvíssemos cada um falando! Foi com um UAU! que, no final do livro, vemos que todas as poesias são do próprio André!
As ilustrações são maravilhosas. Retratam com delicadeza os poetas e suas facetas com livro na mão, metáforas visuais da própria poesia.
O livro ainda traz uma pequena biografia de cada um, anotações das ideias do André, alguns rascunhos das ilustrações e pedaços das poesias iniciais.
Obrigada, André Neves, pela vida dedicada às narrativas visuais e textuais. Com certeza muita gente aprendeu o que era poesia contigo.
O ÓDIO QUE VOCÊ SEMEIA, de Angie Thomas, Editora Galera.
Uau! Um soco no estômago. Fiquei angustiada quase todo tempo, numa tristeza com apreensão, com tensão, misturado com o sentimento de: “que merda!”, o tempo todo.
Minha amiga Melinda, do blog @lovefromjapan, leu o livro e eu falei pra ela quer estava na minha wishlist. O que ela fez? Olha que presente: me emprestou o cartão da biblioteca dela, que tem áudio livros e retirou o livro pra eu ler. Resultado, passei o dia 24 inteiro fazendo as coisas de casa, ouvindo THE HATE U GIVE, em inglês mesmo… E isso fez a leitura muiito mais potente, pois não era eu lendo, mas alguém me contando sua história: com sua própria voz, suas pausas, suas angustias, seus medos, suas revoltas, seus ódios. Nossa! Foi uma porrada no estômago. Foi a primeira vez que escutei um áudio livro e ficou ecoando poderosamente dentro de mim. Amei a experiência.
É um livro super necessário. Ele foi lançado no Brasil em 2017, mas ele entra só agora na lista de melhores do ano, pois o conheci agora… E já falo: VOCÊ PRECISA LER COM SEUS TEENS. URGENTEMENTE.
A protagonista se chama Starr. Recebeu esse nome pois quando nasceu foi a luz que seu pai precisava para seguir o caminho do bem, do que é certo.
Seu pai tem um minimercado e sua mãe trabalha como enfermeira. Eles moram em um bairro de periferia considerado perigoso. Quando ela ela tinha uns 11 ou 12 anos os pais tiveram duas conversas com ela: 1. Como nascem os bebês, 2. Como agir quando ela for parada por um policial. Starr é negra e sabe que os policiais vão sempre tratá-la diferente em função se sua cor, por mais injusto que isso seja.
Quando ela e seu amigo, Khalil, são parados por uma viatura, tudo o que Starr espera é que Khalil também conheça as regras de como se comportar diante de um policial, mas ela fica sabendo tarde de mais que ele não as conhecia. Um movimento errado, uma suposição e os tiros disparam. De repente o seu melhor amigo está no chão, coberto de sangue. Morto.
No início ela fica impotente, cheia de medos. Mas quando o policial vira o coitadinho da história e a mídia começa a difamar o amigo, aos poucos, com o incentivo dos pais e amigos, o medo dá lugar a indignação e depois a raiva e depois tudo isso se transforma em movimento para tentar mudar a situação. Starr precisa urgentemente descobrir a sua voz.
Gente! Que livro! Daqueles que os teens deveriam ler com os amigos, as famílias deveriam ler juntas. Sobre racismo, sobre preconceitos, sobre família, sobre amizade, sobre escola, sobre intolerância, sobre abuso de poder, sobre pobreza e liberdade.
A história se passa nos Estados Unidos, mas poderia se passar aqui no Brasil, sem problema nenhum, infelizmente.
Gostaram das nossas escolhas? E pra vocês? Que livros marcaram este 2020?
Conta pra gente!
Espero que o ano não tenha sido muito duro com você e com a sua família. A covid fez algumas vítimas, amigos e familiares, e sentimos muito a perda de todo o mundo mesmo. Cada novo número, a cada novo mês, nos deixava mais e mais tristes. Que ano triste!
Esperamos que o ano que vem seja mais leve e feliz.
Mãe 24 horas do Cássio e da Cecília), artista plástica, ilustradora, escritora. Apaixonada por literatura infantil. Mediadora de leitura, assessora literária, leitora voraz. Gaúcha morando em Brasília.
Catherine de León
Mãe do Gabriel, Thiago, Fabrício e do Lucas e 2 felinos. Uruguaia, atualmente morando em Gravataí -RS. Arte-educadora, formada em Artes Visuais pela UFRGS. Ilustradora e escritora de livros infanto-juvenis.
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