Dicas para ententer crianças presas em casa
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Vocês se lembram daquele jogo de juntar os pontinhos pra formar uma figura, que tinha nas revistinhas de antigamente?

 Pois esta semana fiquei juntando pensamentos, pulando de um para outro, para ver se eu formava uma uma justificativa pra tudo isto que está acontecendo. E acho que consegui ver "the big picture"! Nos últimos anos muita gente tem saído de suas casa por N motivos: violência, pobreza, guerras, fome, intempéries, ou somente ir em busca de condições mais dignas de viver. Gente, famílias inteiras atravessando terra, ar e o mar(!!!) pra chegar em outro lugar. E como eles são recebidos? Com balas, muros ou cercas, com portas fechadas, com gente reclamando que vão tirar emprego dos nativos, que vão roubar e aumentar a violência, que vão isso e aquilo... Não são acolhidos, ou raramente são acolhidos.

Então o planeta pensou. Ah! Querem fechar a porta na cara dos OUTROS? Então todo mundo vai ficar trancado, ameaçado, sem convívio, longe dos seus afetos e se pisar fora de casa, morte(!), pra ver se isso é bom! Se isso é jeito de tratar o próximo!

O que acham? Tô viajando muito?

Tudo isso pra falar deste livro imagem fantástico da Mariana Chiesa Mateos, publicado pela Editora34. 

 Há 2 histórias que se cruzam no meio do livro. Há 2 capas. 


De um lado acompanhamos uma família fugindo, 

junto a tantas outras. 



 Vira o livro e do outro lado...

   Do outro lado, uma mulher que parte sozinha,

mas não sabemos se por vontade própria ou necessidade.

 Há dor, medo, violência, mas junto tem coragem e esperança também.


Este ano migramos de volta para o sul. Como aves migratórias voltamos para casa. E mesmo querendo voltar, não foi fácil. Não consigo imaginar a dor das pessoas do livro. Mas tento entender e acolher. E você? Que pontos tem ligando por aí?

Para comprar: https://amzn.to/3g5WDmu

MINHA COISA FAVORITA É MONSTRO de Emil Ferris, da Quadrinhos da Cia.

NÃO é pra criança, mas pra Young Adults ou teens ou ainda, adultos, principalmente pra quem ama arte.

 A autora Emil Ferris demorou 5 anos, trabalhando 12 horas por dia nele. Todo desenhado a mão com caneta esferográfica e canetinha, cheio de referências do mundo da arte, com passagens dramáticas e outras bem poéticas. 

A personagem principal não se encaixa e se vê como uma monstrinha. Ama filmes e revistas de 

Terror tipo B. Vive com a mãe doente e o irmão (galinha)num porão. 

Sua vida pobre é atormentada pelo Bullying na escola e piora quando a vizinha de cima (que gostava muito dela) é assassinada, mas dizem que foi suicídio. A partir daí Karen vira uma detetive monstra pra tentar descobrir a verdade. 

 O livro é muito mais que isto. Tem mistério, arte, racismo - assassinato do Martin Luther King, pobreza, expõe a vida das minorias de uma forma geral, 

de judeus que enfrentaram e sofreram com o nazismo, de imigrantes, de prostituição e como a elite (da época?) 

compra meninas e meninos, fala de pedofilia, de câncer, de mitologia e o poder das histórias, de pessoas que morrem de fome, de pessoas que prezam pelas aparências, fala de homossexualismo, de estupro, de drogas e de famílias. 

O livro é pesado, o tema é denso, mas é de uma beleza fascinante também. 

É daqueles livros pra discutir o que há de errado no mundo, pra fazer a diferença... 

E este é o livro UM. A história continua! Já ansiosa pelo livro 2!

Pra comprar: https://amzn.to/2Ye5utW

Eu adoro os livros do Umberto Eco, mas você sabia que ele também escreveu pra crianças?

Esta coleção é dos anos 90, da editora Ática ( E vou falar deles aqui no post). 


Mas em 2007 a Berlendis & Vertecchia Editores uniu os 3 num só livro chamado TRÊS CONTOS. Ele tem um formato menor.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

Na década de 1960, Umberto Eco se uniu ao artista plástico Eugenio Carmi para fazer uma trilogia infantil usando o princípio da semiótica. Sorte a nossa! ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

O primeiro é A BOMBA E O GENERAL.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 
Depois veio OS TRÊS ASTRONAUTAS.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀
E quase três décadas depois dos dois originais, em 1992, Eco e Carmi lançam o última livro da trilogia: OS GNOMOS DE GNÚ.⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Eco disse das ilustrações de Carmi:⠀
 "Carmi fala da controvérsia, de uma civilização, da visão e do barulho que o assombra, perturba-o fascina-o ... Digamos que ele tenha alcançado uma espécie de equilíbrio alucinatório retraduzindo a paisagem externa para uma espécie de paisagem pessoal pacificada e subtraída às contradições que a geram."⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀

⠀ Os livros são bem "didáticos", eles chegam a escrever "entenderam?" Então, não faça isso você também, não polua, não brigue, não queira mal ao outro (só porque é diferente), pense sobre o sentimento dos outros, faça o certo, faça o bem, etc...

Umberto Eco e Eugenio Carmi fizeram, na década de 60, a trilogia TRÊS CONTOS:

O primeiro é A BOMBA E O GENERAL, apoiado na semiótica, eles falam, usando colagens abstratas, sobre a era nuclear e, ao mesmo tempo, transmitir uma mensagem de paz.

O texto é curto e direto. As ilustrações são abstratas e ao mesmo tempo super fortes. Um livro cheio de imaginação. 😍

Depois veio OS TRÊS ASTRONAUTAS, empregando símbolos estabelecem também conexões entre texto e imagem, onde 3 astronautas (um russo, outro americano e um outro chinês) correm pra ver quem consegue chegar primeiro em Marte.

E mesmo não gostando um do outro descobrem que só porque duas criaturas são diferentes, elas não precisam ser inimigas.
Olha que show: Americano: são embalagens de chiclete, Russo: um papel vermelho (com pedaços de texto em russo) e o Chinês: um fundo amarelo e um caractere chinês.

E quase três décadas depois dos dois outros, em 1992, Eco e Carmi lançam o última livro da trilogia: OS GNOMOS DE GNÚ onde falam sobre desmoronamento ecológico mundial, a capacidade de mudança e a salvação do mesmo. 

Um explorador se propõe a encontrar um novo planeta habitável para portar a civilização humana, já que essa cresce desenfreada e sem se importar com o futuro da Terra. Mas quando ele encontra o planeta Gnu, e mostra como é a vida na Terra, os gnomos que nele habitam se mostram menos interessados ​​em receber a civilização no planeta deles(depois de ver como os homens transformaram o lindo planeta num desastre ambiental).

O texto é muito bacana, mas ao meu ver, as ilustrações é que são o ponto forte da narrativa, pois são bem abertas, deixando para a criança, transformar as formas abstratas em formas reais.

P.S: Os dois artistas eram tão ligados que Eco morreu 3 dias depois de Carmi. Que coisa!
Eeeeeh! Esta semana recebemos mais dois livros do Clube de Assinaturas de Livros Adoletra.

 A BOCA DA NOITE de Cristiano Wapichana e ilustrações de Graça Lima. Editora Zit.

Venceu nas categorias de Melhor livro para crianças e Melhor ilustração no Prêmio Fundação Nacional do Livro Infantil e Juvenil 2017, a obra teve uma de suas ilustrações na capa do catálogo da Feira literária infantil e juvenil de Bolonha (um sonho isso!!!), uma das maiores do mundo.

As ilustrações misturam pintura com desenho digital.

Na história, os irmãos Kupai e Dum tentam descobrir o que será que acontece quando o sol mergulha no rio?  Para isso sobem na Laje do Trovão, o lugar mais perigoso da aldeia, super alto que dá pra ver o mundo bem pequeno lá em baixo. Quando o pai descobre o que fizeram recebem um castigo, além de precisarem ouvir uma história do pai.

O medo aumenta quando o pai utiliza fala sobre a “boca da noite” e Kupai fica imaginando a noite com uma boca ferroz, uma cabeça e corpo gigantesco e acaba tendo um pesadelo.
Quando pergunta pros adultos sobre isso, ninguém tem paciência pra explicar. Como será que o pequeno índio vai descobrir a verdade?

 O escritor Cristino Wapichana,é indígena do povo Wapichana, de Roraima, e ele ganhou, em 2014, com esse texto, menção honrosa no Concurso FNLIJ/UKA Tamoios de Textos de Escritores Indígenas.

As ilustrações são afetivas e completam o texto. Adoramos.

No fim da leitura tem o guia do explorador pra criança e para os pais pensarem o livro de outra maneira.


 Veio também com um Paper Toy maluquinho!

O DIÁRIO DE ANNE FRANK, EM QUADRINHOS de Ari Folman e David Polonsky, publicado pelo Grupo Editorial Record.

 O DIÁRIO DE ANNE FRANK foi publicado pela primeira vez em 1947 e conta sobre a visão da guria do Holocausto.

 A Ceci estava louca pra ler esta versão em quadrinhos oficial e autorizada pela ANNE FRANK FONDS.

No livro conhecemos a guria Anne e sua família. É ela quem narra a história do confinamento, em função a perseguição aos judeus durante a segunda guerra mundial, e as desventuras de sua família judia (e de outra família que ficou com eles) na Holanda ocupada, que por pouco mais de dois anos conseguiram se esconder dos alemães em um pequeno anexo de uma fábrica.

A versão quadrinhos é um pouco mais "light" e lúdica até, embora o tema continue pesado e tenso. Mostra um pouco das dificuldades passadas pelas 8 pessoas que conviviam no pequeno espaço do sótão. Mostra a fome, o silêncio, o pouco espaço, as diferenças culturais e sociais das famílias, os conflitos entre adultos e adolescentes, as paixões e descobertas do corpo, os conflitos pessoas e externos, as mudanças de humor pela prisão voluntária na fábrica, adoecimentos, o desespero dos bombardeios, o perigo permanente de serem descobertos, enter outras muitas coisas.

Após a leituras as crianças são convidadas a refletir um pouco mais sobre a história com o guia de exploração. 

E também veio com 2 antenas captadoras de histórias da Contadora de Histórias Fafá Conta.

Para saber mais:
As assinaturas podem ser escolhidas por perfil literário e conforme nosso leitor vai crescendo podemos mudar de perfil. Tem livros para os menorzinhos que são muito engraçados e agradam maiores também, por outro lado existem crianças que se alfabetizam muito cedo ou buscam livros com mais texto. Por esse motivo gostamos de dizer que a idade de cada perfil é apenas uma sugestão.

Bebês (até 3 anos)
Para ler junto (de 4 a 6 anos)
Pequeno Leitor (de 7 a 11)
Jovem Leitor (acima de 11 anos)

Se você tem duas crianças e elas não se encaixam num único perfil (É O NOSSO CASO), pode escolher a assinatura com dois livros de perfis diferentes. Pensando nos leitores assíduos (como nós) que já poderiam ter o título do mês na sua biblioteca, oferecem sempre uma segunda opção, ou seja, é possível trocar o livro principal por um alternativo. Além da ótima curadoria, esse foi o maior diferencial em relação aos outros clubes. Os livros selecionados são apresentados no site até o dia 10 de cada mês e enviados até o dia 20.

Blog: https://www.clubeadoletra.com.br/blog/
Site: https://www.clubeadoletra.com.br
Instagram: https://www.instagram.com/clubeadoletra/
Facebook: https://www.facebook.com/clubeadoletra/
Adoramos e super recomendamos!

Recebemos da Companhia da Letras, selo Quadrinhos na Cia.
"O Lixo da História" de Angeli.
O Angeli é um dos maiores artistas do cartoon nacional. Conheci o trabalho dele ainda na década de oitenta através da revista Chiclete com Banana, que chegou a vender mais de cem mil exemplares mensais! Angeli publicou suas charges críticas na Folha durante décadas.

O Lixo da História é uma coletânea com as melhores cumprimentos sobre os conflitos políticos e militares no Oriente Médio durante uma decada, a partir do atentado do 11/09/2001 até 2012.
Ler este livro é uma forma bem humorada e muitas vezes dolorida de questionar o que se passou entre o Oriente Médio e os EUA durante o teferido período, leitura necessária para contextualizar os problemas que seguem assolando a região.
A organização é cronológica e o projeto gráfico foi executado por Elisa v. Randow.


No final ainda apresenta uma extensa cronologia que começa com a fundação de Israel.
Com quase trezentas páginas ilustradas, o livro é uma ótima opção para os adolescentes conhecerem e para os adultos relembrarem esse período do conflito.
Pela força das imagens e facilidade de leitura ganhou lugar de destaque na mesa da sala de estar. Todos que vem aqui em casa leem pelo menos um capítulo.
Conheça mais no site da Companhia das Letras